As doze figuras de pedra de Congonhas estão ao ar livre há 200 anos e atraem fotógrafos do Brasil inteiro
Esculpidos há mais de 200 anos, os 12 Profetas de Congonhas seguem ao ar livre atraindo fotógrafos de todo o país
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
20/07/2026
Doze figuras de pedra olham para o horizonte há mais de duzentos anos, e a maioria das pessoas que compartilha essa imagem nas redes sociais nem imagina onde ela foi tirada. O cenário existe há dois séculos e meio, esculpido por um homem que perdeu o movimento das mãos durante o processo. Estamos falando de Congonhas, no centro de Minas Gerais.
Por que essa imagem viralizou tanto na internet?
A resposta está na composição visual quase impossível de errar. Doze estátuas em tamanho natural, esculpidas em pedra-sabão, dispostas em fileira diante de uma igreja branca e dourada, no alto de uma colina que domina a paisagem da cidade — qualquer ângulo de câmera transforma a cena em algo que parece pintura. Ao entardecer, quando a luz bate de lado, os detalhes entalhados nos rostos e nas vestes ganham um relevo que poucas construções religiosas do Brasil conseguem reproduzir.
Não é só estética. Há também o fator curiosidade: muita gente vê a foto circulando, pergunta onde fica, e descobre que a resposta é uma cidade pequena, sem o destaque turístico de Ouro Preto ou Tiradentes, mas que guarda uma das obras mais estudadas da história da arte brasileira.
O que são exatamente essas doze figuras?
As estátuas representam profetas do Antigo Testamento e foram esculpidas entre 1800 e 1805 por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Cada uma carrega um pergaminho com uma profecia em latim, e a disposição na escadaria segue uma lógica visual pensada para guiar o olhar de quem sobe os degraus em direção à igreja.
Vale conhecer um pouco do conjunto, já que cada figura tem características físicas e roupas diferentes, esculpidas com atenção a detalhes como barbas, turbantes e dobras de tecido:
Isaías abre a fileira, na entrada esquerda da escadaria;
Jeremias e Ezequiel ocupam o trecho seguinte;
Daniel, Oseias e Joel ficam na parte intermediária.
A igreja por trás das estátuas também impressiona
Logo atrás dos profetas está a igreja que dá nome ao conjunto, com construção iniciada em 1757 e concluída apenas em 1790. O interior reúne talha dourada, pinturas e um altar que recebe milhares de devotos todos os anos, já que o local também funciona como destino de peregrinação religiosa.
A combinação entre fé e arte é o que sustenta a visitação até hoje, muito além do interesse puramente fotográfico. Seis capelas anexas completam o complexo, abrigando mais de sessenta esculturas em madeira que retratam os últimos momentos antes da crucificação, pintadas por Manoel da Costa Ataíde, outro nome fundamental do barroco mineiro.


Santuário do Bom Jesus de Matosinhos com esculturas dos profetas em Congonhas, Minas Gerais - Foto: Igor Souza


Escultura de um dos profetas de Aleijadinho no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas - Foto: Igor Souza
Quanto custa entrar e quais os horários de visita?
A entrada na igreja e na área onde estão as estátuas é gratuita, o que surpreende boa parte dos visitantes. Já o museu da cidade, inaugurado em 2015 para preservar e explicar o acervo, cobra um valor simbólico de acesso.
Antes de planejar a ida, vale conferir os valores e horários praticados no local:
Entrada na basílica e no adro das estátuas: gratuita;
Museu de Congonhas: dez reais para adultos (conferir os valores, porque podem ter mudado);
Estudantes com carteirinha: meia-entrada, sem limite de idade;
Idosos: meia-entrada.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Vale a pena estender a visita pela cidade?
Sim, principalmente para quem quer entender o contexto por trás das estátuas antes ou depois de vê-las pessoalmente. No entorno da escadaria, antigas casas de propriedade da reitoria da basílica preservam a arquitetura do período colonial e hoje funcionam como pequenas lojas de artesanato.
Por ali é possível encontrar peças produzidas por artesãos da região, com materiais que variam bastante de uma loja para outra:
Pedra-sabão;
Madeira entalhada;
Cerâmica;
Tapeçaria;
Estanho e cestaria.
A distância até Belo Horizonte gira em torno de oitenta quilômetros, o que torna Congonhas uma opção viável até mesmo para quem tem só um dia livre. E para quem já visitou outras cidades históricas mineiras, vale notar a diferença: aqui o destaque não está nas ruas de pedra ou nos casarões coloniais, mas em uma única composição ao ar livre que resume, sozinha, mais de duzentos anos de história e arte.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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