Aos pés da Serra do Cipó, Lapinha da Serra reúne cachoeiras, grutas e lagoas a 130 km de Belo Horizonte
A pouco mais de 2 horas da capital mineira, um vilarejo reúne lagoas, cachoeiras e pinturas rupestres de 7 mil anos. Vale a pena conhecer de perto
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
03/09/2026
A estrada de terra que leva até lá ainda intimida quem depende do aplicativo de navegação, mas quem chega esquece rápido do trajeto. Lapinha da Serra é um distrito de Santana do Riacho encravado entre dois dos pontos mais altos da Serra do Cipó, a cerca de 130 quilômetros de Belo Horizonte. Em poucos quilômetros quadrados, o lugar reúne lagoas, cachoeiras, grutas e sítios arqueológicos que formam uma das paisagens mais completas do estado.
Onde fica exatamente a Lapinha da Serra?
Lapinha da Serra é um distrito do município de Santana do Riacho, dentro da Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira, na Serra do Cipó, região reconhecida pela riqueza de suas paisagens naturais. O vilarejo está encravado no sopé de dois dos pontos mais altos da região:
Pico da Lapinha, com 1.686 metros de altitude;
Pico do Breu, com 1.687 metros, o mais alto dos dois.
O acesso é feito pela rodovia MG-010 até Santana do Riacho, seguido de um trecho de estrada de terra até o vilarejo. A população é pequena, e boa parte dos moradores vive da agricultura de subsistência e do turismo, cada vez mais procurado por quem busca opções de passeio próximas de BH.
Como surgiu a lagoa que domina a paisagem do vilarejo?
A represa da Lapinha começou a ser construída na década de 1950 pela Companhia Industrial de Belo Horizonte, com o objetivo de gerar energia para a Usina Coronel Américo Teixeira. Hoje, são duas grandes lagoas separadas por montanhas e ligadas por um canal de água.
A paisagem formada pelas lagoas e pela mata ao redor é uma das belezas naturais mais lembradas do vilarejo, usada tanto para contemplação quanto para atividades na água. Entre as opções mais procuradas estão:
Natação nas águas tranquilas da represa;
Canoagem entre as duas lagoas;
Remada em pé sobre prancha, pela extensão do lago;
Passeio de barco pelas duas lagoas.


Lagoa com faixa de areia e montanhas ao fundo em Lapinha da Serra, Santana do Riacho, MG - Foto: Igor Souza
As cachoeiras da região atraem quem busca aventura e descanso
A Lapinha da Serra reúne quedas d'água de tamanhos e níveis de dificuldade variados, o que atrai desde famílias em busca de um banho tranquilo até caminhantes mais experientes. Entre as mais procuradas estão:
Cachoeira do Lajeado, com cerca de 40 metros de queda;
Cachoeira do Rapel, com 50 metros sobre um paredão de granito;
Cachoeira do Bicame;
Cachoeira do Paraíso;
Poço do Soberbo, o maior poço natural da Serra do Cipó.
O Soberbo, em especial, chama atenção pelo tamanho: são 18 metros de profundidade e 30 metros de diâmetro, alimentados por um ribeirão, um rio e um córrego que se encontram no mesmo ponto.
O que torna o sítio arqueológico da Lapinha tão especial?
O Sítio Arqueológico da Lapinha fica no sopé do Pico do Breu, na margem oposta à do vilarejo, e o acesso só é possível atravessando a lagoa de barco. No local, foram encontradas pinturas rupestres com aproximadamente 7 mil anos.
A região inteira faz parte da chamada Grande Região Arqueológica de Lagoa Santa, conhecida por reunir diversos sítios com vestígios de ocupação humana muito antiga, além de rica biodiversidade nas serras ao redor. Por isso, essa camada de história soma-se às paisagens naturais como parte do que atrai visitantes até a Lapinha da Serra.


Balanço de madeira diante das montanhas em Lapinha da Serra, Santana do Riacho, MG - Foto: Igor Souza
Quais trilhas completam a experiência na Lapinha?
Além das cachoeiras, a região oferece caminhos para quem quer explorar a paisagem a pé ou de bicicleta, com opções que vão de passeios leves a travessias de vários dias. Entre os percursos mais conhecidos estão:
Circuito das Lagoas, de cerca de 2 quilômetros, passando pelas lagoas Bonita, Dourada e Sumidouro;
Travessia Lapinha–Tabuleiro, até a Cachoeira do Tabuleiro, uma das mais altas de Minas Gerais;
Cânion das Bandeirinhas, com paredões de até 100 metros de altura.
A Travessia Lapinha–Tabuleiro, em especial, é procurada por caminhantes de todo o país, já que a Cachoeira do Tabuleiro está entre as mais altas do estado, com queda livre de 273 metros.
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A cultura local também faz parte da experiência
Ao longo do ano, a Lapinha recebe festejos religiosos importantes para a identidade da comunidade, como o dia de São Sebastião, padroeiro do vilarejo, e a festa de Nossa Senhora Aparecida. Também acontece o Arraiá da Lapinha, tradição que já soma cerca de 20 edições.
Outra marca da região é o batuque, manifestação cultural em que moradores tocam sanfona e tambores enquanto dançam em roda, formando pares. A tradição costuma aparecer justamente nessas festas e em outras ocasiões ao longo do ano.


Barco às margens da lagoa de Lapinha da Serra, cercada por serras em Santana do Riacho, MG - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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