Antes de ser Engenheiro Corrêa, o distrito de Ouro Preto se chamava "Sardinha"

Uma estação ferroviária, um ribeirão e a homenagem a um engenheiro explicam a troca de nome deste pequeno distrito mineiro

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
06/08/2026

Fachada de igreja branca e azul com escadaria em Engenheiro Corrêa, Ouro Preto MG
Fachada de igreja branca e azul com escadaria em Engenheiro Corrêa, Ouro Preto MG

Fachada de igreja branca e azul com escadaria em Engenheiro Corrêa, Ouro Preto MG - Foto: Igor Souza

O nome Engenheiro Corrêa parece ligado apenas à ferrovia, mas a história começa antes dos trilhos. A região já tinha fazendas, mineração e uma comunidade próxima à Capela de Santo Antônio do Monte. Quando a estação foi inaugurada, em 1896, recebeu o nome de Sardinha, referência ao ribeirão que atravessa a área.

Por que a estação recebeu o nome de Sardinha?

A Estação Sardinha foi inaugurada em 1º de dezembro de 1896. A escolha não tinha relação direta com o peixe: lembrava o Ribeirão Sardinha, curso d’água que banha a região e serviu como referência para fazendas e moradores.

A ferrovia mudou o centro da ocupação. A localidade atual cresceu ao redor da plataforma, dos serviços e da circulação de cargas e passageiros. Antes disso, o núcleo mais antigo estava ligado a Santo Antônio do Monte. A mudança pode ser entendida por três marcos:

  • povoado rural próximo à antiga capela;

  • inauguração da Estação Sardinha;

  • crescimento das casas ao redor dos trilhos.

Quem foi o engenheiro homenageado no novo nome?

Manuel Francisco Corrêa Júnior era o engenheiro supervisor da Estação Sardinha. Segundo os registros municipais, ele morreu em um acidente nas proximidades da linha ferroviária. A estação e o povoado formado no entorno passaram a carregar seu nome.

A homenagem transformou uma referência natural em memória pessoal. “Sardinha” lembrava o ribeirão; “Engenheiro Corrêa” passou a recordar um profissional ligado à ferrovia. Os dois nomes contam fases diferentes da localidade:

  • Sardinha, ligado à paisagem;

  • Engenheiro Corrêa, ligado à ferrovia.

O distrito já existia oficialmente quando o nome mudou?

Aqui existe uma diferença importante. A Estação Sardinha e o povoado ao redor já eram conhecidos antes da criação oficial do distrito. Engenheiro Corrêa só foi elevado à categoria de distrito de Ouro Preto em 12 de dezembro de 1953, pela Lei Estadual nº 1.039.

Por isso, dizer que “o distrito se chamava Sardinha” resume a história, mas não conta toda a sequência administrativa. O nome Sardinha pertenceu primeiro à estação e à localidade ferroviária. Quando o distrito foi formalmente criado, a denominação Engenheiro Corrêa já estava consolidada.

Como era a região antes da chegada dos trilhos?

Nas proximidades do atual distrito existiu o povoado de Santo Antônio do Monte. Fazendas se estabeleceram em torno da capela dedicada ao santo, e vestígios de muros de pedra seca ainda ajudam a identificar antigas divisões de propriedades.

A presença do Ribeirão Sardinha favoreceu atividades rurais e a mineração. Parte da produção agrícola ajudava a abastecer áreas próximas de Vila Rica. Antes de a estação reorganizar o povoamento, a vida local estava apoiada em:

  • fazendas;

  • plantio de alimentos;

  • mineração;

  • devoção a Santo Antônio.

O que a ferrovia mudou em Engenheiro Corrêa?

A estação se tornou o principal ponto de organização da sede atual. O movimento ferroviário estimulou comércio, transporte e novas moradias, enquanto serviços públicos acompanharam o crescimento. Em 1930, o lugar já contava com cartório.

A ferrovia não apagou o núcleo anterior, mas criou outro centro de vida. A praça da estação, as casas próximas e estruturas de apoio passaram a definir a paisagem. Entre os bens inventariados pelo município aparecem:

  • antiga estação ferroviária;

  • caixa-d’água dos trens;

  • casas da Praça da Estação;

  • fazendas e capelas;

  • acervo do antigo cartório.

A antiga estação continua importante para o distrito

A estação permanece como o principal símbolo dessa mudança de nome e de rumo. Em dezembro de 2025, a Prefeitura de Ouro Preto apresentou o espaço restaurado como centro cultural, reforçando a preservação da memória ferroviária e seu uso pela comunidade.

O prédio representa mais do que uma parada antiga. Foi ao redor dele que a sede atual se desenvolveu, deixando Santo Antônio do Monte como testemunho de uma ocupação anterior. Conhecer Engenheiro Corrêa é observar essas duas camadas no mesmo território.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O que conhecer durante uma passagem pelo distrito?

Engenheiro Corrêa fica a cerca de 38 quilômetros da sede de Ouro Preto, segundo o portal municipal de turismo. O passeio exige planejamento, pois não se trata de uma extensão imediata do centro histórico. Estrada, horários e condições de acesso devem ser conferidos antes da saída.

Além da antiga estação, o distrito preserva igrejas, paisagem rural e vestígios das primeiras fazendas. Para entender como “Sardinha” virou Engenheiro Corrêa, vale observar:

  • estação ferroviária e sua caixa-d’água;

  • Capela de São José;

  • Igreja de Nossa Senhora da Conceição;

  • Capela de Santo Antônio do Monte e os muros de pedra.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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