Antes de a Unesco tombar Brasília, uma cidade de 3 mil moradores já levava o nome de seu criador: Presidente Kubitschek
Ela ganhou o nome do criador de Brasília em 1962 e ainda é chamada pelo apelido antigo. Conheça a pequena cidade mineira escondida na Serra do Espinhaço
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
03/11/2026
Brasília só entrou para a lista de Patrimônio Mundial da Unesco em 1987. Vinte e cinco anos antes, uma lei estadual mineira já tinha transformado um distrito de Diamantina em município com o nome do homem que idealizou a capital. Presidente Kubitschek, na Serra do Espinhaço, tem pouco mais de 3 mil moradores e uma história que começa bem antes de JK.
Como o antigo Tijucal virou Presidente Kubitschek?
O lugar nasceu como ponto de parada de tropeiros e comerciantes que circulavam pela região de Diamantina. Por isso, o primeiro nome registrado foi Pouso Alto, que aparece em documentos de 1866.
Ao longo de quase um século, o povoado trocou de nome e de status algumas vezes, sempre ligado a Diamantina. A sequência, segundo o IBGE, ajuda a entender a trajetória:
1887: criação do distrito de Pouso Alto, por lei provincial;
1923: o distrito passa a se chamar Tijucal;
30 de dezembro de 1962: lei estadual eleva o distrito a município, já com o nome atual;
1º de março de 1963: instalação oficial do município.
Por que homenagear JK nesse ponto do mapa?
Juscelino Kubitschek nasceu em Diamantina, cidade da qual o antigo Tijucal fez parte por décadas. O IBGE registra a escolha do nome como uma homenagem a um filho ilustre da região, que governou o Brasil entre 1956 e 1961 e inaugurou Brasília em 1960.
A emancipação veio no fim de 1962, pouco mais de um ano depois do fim do mandato de JK. Mesmo com o nome novo, o antigo resistiu, e muitos moradores continuam chamando a cidade de Tijucal no dia a dia.
A homenagem tem uma concorrente a 80 km
Presidente Kubitschek não é a única cidade mineira batizada em nome de JK. A cerca de 80 km dali, passando por Datas e Gouveia, fica Presidente Juscelino, e a semelhança gerou até apelidos entre os vizinhos:
Preku: como os moradores de Presidente Juscelino chamam quem vive em Presidente Kubitschek;
Preju: a resposta, no sentido contrário.
Em 2012, uma reportagem do jornal Estado de Minas mostrou que a confusão vai além da brincadeira, com correspondências e entregas trocadas entre as duas cidades. O mesmo texto apontou que nenhuma delas tinha, até então, estátua ou busto do ex-presidente.
Praça central com monumento histórico e letreiro da cidade de Presidente Kubitschek, MG - Foto: Igor Souza
Monumento branco com cruz em praça pública de Presidente Kubitschek, MG, cercada por vegetação - Foto: Igor Souza
Onde fica Presidente Kubitschek?
A cidade está no Alto Jequitinhonha, a 1.109 metros de altitude, encaixada na Serra do Espinhaço. O território é pequeno, com cerca de 189 km², e a economia gira em torno de serviços e agricultura.
Para quem planeja a viagem, a localização facilita incluir a cidade num roteiro maior pelo centro-norte de Minas. As referências principais de distância e acesso são estas:
cerca de 54 km de Diamantina;
cerca de 298 km de Belo Horizonte;
faz parte do Caminho dos Diamantes, na Estrada Real.
Quais cachoeiras vale conhecer na cidade?
O relevo do Espinhaço garante uma sequência de serras, córregos e quedas d’água, com orquídeas e bromélias pelo caminho. O ponto mais conhecido é a região do Funil, onde ficam o Cânion do Funil e a Cascata do Funil.
A área atrai praticantes de escalada, voo livre e parapente, mas não é a única opção para quem procura água. Pelo município, outras quedas aparecem nos roteiros de visitação:
Cachoeira da Paca;
Cachoeira do Guaribas;
Cachoeira do Laércio;
Cachoeira do Tamanduá;
Cascata Ananias.
A história mais antiga está gravada na pedra
Muito antes dos tropeiros, a região já era habitada. A Gruta da Capela Velha serviu de moradia para povos antigos e ainda guarda camas de pedra forradas com capim e pinturas rupestres nas paredes.
Outro registro do passado é o muro de pedra de Andrequicé, citado pelo Instituto Estrada Real entre os pontos de interesse da cidade. Na área urbana, a fé aparece na Igreja de Nossa Senhora das Dores e na Capela Nossa Senhora de Fátima.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Qual a melhor época para visitar a cidade?
O calendário local é marcado por celebrações religiosas e por uma festa de nome curioso, dedicada ao kubitschekense ausente. São as datas em que a rotina da cidade muda de ritmo.
Quem quiser ver Presidente Kubitschek com mais gente nas ruas pode programar a visita para uma destas ocasiões:
Semana Santa;
Festa do Kubitschekense Ausente;
Festa da Padroeira.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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