Amarantina foi erguida por bandeirantes entre o fim do século XVII e o início do XVIII
Uma construção erguida por bandeirantes ainda resiste em um distrito histórico de Minas, ao lado de igrejas antigas e tradições seculares
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
06/10/2025
Uma casa de pedra ergue-se em Amarantina desde os tempos em que os bandeirantes cruzavam Minas Gerais em busca de riquezas minerais. A construção, erguida entre o fim do século 17 e o início do 18, é um dos registros mais antigos do distrito, hoje ligado a Ouro Preto e situado a cerca de 30 quilômetros da sede do município. Cidade histórica por origem e vocação, Amarantina reúne pontos turísticos que somam arquitetura colonial, tradições religiosas e uma trajetória marcada pela fome que expulsou moradores de Vila Rica no início dos anos 1700.
De onde vem a fama da Casa de Pedra erguida pelos bandeirantes?
A Casa de Pedra, também chamada de Casa Bandeirista ou Casa Setecentista, fica próxima à Rua Santo Onofre, nas proximidades da Igreja Matriz. A edificação foi construída pelos bandeirantes entre o fim do século 17 e o início do 18, período em que exploradores e tropeiros passavam pela região em busca de ouro e outras riquezas minerais.
O imóvel foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1963, reconhecimento que ajudou a preservar suas características originais. A construção passou por restauração ao longo dos anos e segue como uma das referências mais visitadas do distrito.
A fome em Vila Rica moldou a ocupação da região no início do século 18
Segundo o relato preservado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Ouro Preto, o povoado que deu origem a Amarantina surgiu por volta de 1700, quando uma grande fome atingiu a população de Vila Rica. Muitas famílias deixaram o centro minerador em busca de terras férteis para plantar e distribuir alimentos.
Esses produtos eram levados dali até Vila Rica, ajudando a abastecer a população que enfrentava escassez de alimentos. A tradição oral aponta que a região concentrava plantações variadas, favorecidas pelo solo próximo ao Rio Maracujá:
Alho;
Frutas;
Hortaliças.
Por que o distrito recebeu tantos nomes ao longo da história?
O primeiro nome do povoado, Tijuco, tinha origem indígena e fazia referência às áreas alagadas às margens do rio. Com o tempo, a devoção ao padroeiro São Gonçalo do Amarante ganhou força e passou a definir a identidade local, substituindo aos poucos a antiga denominação.
Cada mudança de nome acompanhou uma mudança na identidade do povoado, até chegar à forma como ele é conhecido hoje. Essa trajetória passou por diferentes fases:
Tijuco;
São Gonçalo do Tijuco;
São Gonçalo do Amarante;
Amarantina, nome fixado por volta da década de 1940.
Como foi construída a Matriz de São Gonçalo, no alto do morro?
A igreja dedicada ao padroeiro do distrito ocupa o ponto mais alto de Amarantina, com duas torres visíveis de diferentes partes do vilarejo. O templo segue o estilo barroco, com traços de rococó que aparecem nos altares e na decoração interna.
A obra levou anos para ficar pronta e reuniu diferentes etapas até a decoração final. Dois marcos ajudam a resumir essa cronologia:
Início das obras em 1752;
Conclusão da construção e da pintura interna, finalizada até 1768.


Igreja Matriz de Amarantina com torres e cruzeiro em destaque, distrito de Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza


Vista frontal da Igreja Matriz de Amarantina com duas torres e cruzeiro central, Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza
A Cavalhada de São Gonçalo é a principal tradição cultural do distrito
A festa em homenagem ao padroeiro reúne moradores e visitantes todos os anos, geralmente no mês de setembro. O ponto alto da celebração é a Cavalhada, uma representação teatral dividida em atos, na qual mouros e cristãos disputam a mão da princesa Florípedes.
Essa manifestação segue viva há gerações e funciona como um dos elos mais fortes entre o distrito e sua origem colonial. A tradição também reforça o papel de Amarantina como um dos distritos que preservam parte da memória popular da região de Ouro Preto.
O que a Casa de Pedra oferece à comunidade atualmente?
Depois de restaurada, a construção deixou de ser apenas um marco histórico e passou a ter uso prático no dia a dia do distrito. O espaço abriga atividades organizadas pelos próprios moradores ao longo do ano.
O uso diário aproxima moradores da própria história do distrito e mantém viva a memória dos bandeirantes que passaram por ali. Hoje o imóvel funciona como centro comunitário, reunindo também um espaço de exposição e venda de artesanato produzido no distrito.
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Como chegar até Amarantina e o que mais vale a pena ver por lá
O acesso ao distrito acontece principalmente pela Rodovia dos Inconfidentes, a BR-356. Por muitos anos, o distrito também foi lar do Museu das Reduções, hoje transferido para outro endereço, mas ainda lembrado por quem conheceu Amarantina antes da mudança.
Para quem organiza a visita, alguns dados ajudam a montar o roteiro:
Distância de cerca de 30 quilômetros até a sede de Ouro Preto;
Acesso pela Rodovia dos Inconfidentes (BR-356);
Proximidade com o distrito de Cachoeira do Campo, de origem histórica comum;
Casa de Pedra localizada na Rua Santo Onofre, perto da Igreja Matriz;
Centro histórico com ruas e construções do período colonial.
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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