Aleijadinho e barroco do século XVIII: o patrimônio de Barão de Cocais que poucos conhecem
Uma cidade guarda o que pode ser o primeiro projeto arquitetônico de Aleijadinho, com altares dourados e pintura de Mestre Ataíde. Esse patrimônio ainda surpreende
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
08/07/2026
Barão de Cocais está a cerca de 90 quilômetros de Belo Horizonte, integra o Circuito do Ouro e carrega dentro de seus limites uma das obras mais importantes do barroco mineiro. O Santuário de São João Batista, construído a partir de 1764, tem obras atribuídas ao Aleijadinho e ao Mestre Ataíde, é tombado pelo IPHAN e representa um capítulo da arte sacra brasileira que a maioria dos roteiros turísticos passa longe.
Por que o Santuário de São João Batista é tão relevante para a arte brasileira?
A planta original da igreja veio de Lisboa em 1762, mas não agradou os responsáveis da época. A solução foi encomendar ao Aleijadinho modificações sobre o projeto original. O resultado foi uma fachada com torres posicionadas de forma diagonal em relação ao corpo da igreja, solução ousada para o período e que virou marca do artista em obras posteriores.
Essa intervenção em Barão de Cocais é considerada por estudiosos o primeiro projeto arquitetônico de Aleijadinho. As obras que ele deixou no santuário são verificáveis e documentadas:
A imagem de São João Batista em pedra-sabão, no nicho da fachada principal;
A tarja do arco cruzeiro no interior da igreja;
O desenho da fachada e o posicionamento das torres diagonais.


Fachada da Igreja Matriz de Barão de Cocais, com torres coloniais, relógio central e arquitetura histórica - Foto: Igor Souza
O que Mestre Ataíde fez nessa igreja?
A pintura do forro em madeira é atribuída ao Mestre Ataíde e representa o batismo de Jesus por São João Batista. É uma das composições mais significativas da arte religiosa mineira, feita no interior de um santuário que também conta com quatro altares laterais folheados a ouro, originários da fazenda de Morro Grande.
O conjunto de obras dos dois mestres no mesmo espaço é raro fora de Ouro Preto e Congonhas. Essa raridade coloca o santuário num patamar que o turismo em Minas Gerais ainda não soube explorar da forma que merece.
Barão de Cocais tem mais igrejas tombadas pelo IPHAN?
A cidade guarda um conjunto de edificações religiosas que atravessaram séculos. Além do Santuário de São João Batista, outras igrejas compõem esse patrimônio:
Igreja de Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro (1737): a mais antiga do município, com decoração original em estilo rococó, considerada a mais antiga representação desse estilo em Minas Gerais;
Igreja de Sant'Ana (século XVIII, distrito de Cocais): tombada pelo IPHAN em 1939, com talha dourada em três altares e imagem de Nossa Senhora trazida de Portugal.


Pintura no teto da Igreja Matriz de Barão de Cocais, com arte sacra, detalhes ornamentais e cores marcantes - Foto: Igor Souza
O distrito de Cocais guarda um vilarejo colonial intacto
A cerca de 3,5 quilômetros do centro de Barão de Cocais está o distrito de Cocais, dentro do complexo montanhoso da Serra do Espinhaço, declarada Reserva da Biosfera pela Unesco. O distrito tem ruas de paralelepípedos, casarões coloniais e o Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, com pinturas rupestres datadas de cerca de seis mil anos.
Quem visita o distrito encontra também a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em 1855 com elementos do barroco e do neoclássico, tombada pelo IPHAN por sua importância cultural. O conjunto paisagístico e histórico do local é o tipo de experiência que justifica uma visita separada da cidade sede.
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O que mais Barão de Cocais oferece além do patrimônio histórico?
A cidade integra a Estrada Real e a Rota do Ferro, e tem uma vocação turística que vai além das igrejas. A natureza é outro ponto forte, com mais de vinte cachoeiras na região e trilhas na Serra do Cambota.
Para quem planeja o roteiro, os principais atrativos históricos e naturais da cidade são:
Santuário de São João Batista, com obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde, tombado pelo IPHAN;
Ruínas da Mina de Gongo Soco, com o Cemitério dos Ingleses, tombadas pelo IEPHA em 1995;
Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, com pinturas rupestres de cerca de seis mil anos;
Cachoeira da Cambota e Cachoeira de Cocais, para quem alia história e natureza no mesmo roteiro.


Altar da Igreja Matriz de Barão de Cocais, com detalhes barrocos, colunas internas e decoração histórica - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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