Acuruí: o distrito de Itabirito com pouco mais de 500 habitantes e igrejas do século XVIII
Um vilarejo de poucas centenas de moradores guarda duas igrejas coloniais erguidas de frente uma para a outra, cada uma por uma irmandade diferente
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
31/07/2026
A cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte, um distrito de pouco mais de 500 habitantes concentra duas igrejas do século XVIII, casarios coloniais e muros de pedra que resistem desde o Ciclo do Ouro. Acuruí é o único distrito de Itabirito que integra a Estrada Real, e o tamanho reduzido não impede que a comunidade preserve um dos núcleos históricos mais completos da região. O contraste entre a vida simples do vilarejo e a densidade de sua história é o que mais chama atenção de quem visita.
Acuruí é um distrito de Itabirito com pouco mais de 500 habitantes
A população pequena convive com uma estrutura de turismo rural que cresce a cada ano, impulsionada pela proximidade com a capital mineira e pela integração à Rota Turística Jaguara. Mesmo sem a movimentação de outros destinos históricos de Minas Gerais, o distrito mantém vida própria, com comércio local e serviços voltados a moradores e visitantes.
Alguns números ajudam a situar o tamanho e a localização do distrito:
Pouco mais de 500 habitantes;
A cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte;
Único distrito de Itabirito integrante da Estrada Real;
Parte da Rota Turística Jaguara.
Como um vilarejo tão pequeno guarda duas igrejas do século XVIII?
A origem de Acuruí remonta ao século XVIII, quando bandeirantes exploravam a margem direita do Rio das Velhas em busca de ouro, durante o auge do Ciclo do Ouro em Minas Gerais. Tropeiros que cruzavam as trilhas coloniais também contribuíram para o crescimento do povoado, que se estruturou com fazendas, pontos de comércio e hospedagens para viajantes.
O nome atual só passou a valer em 1842, quando o antigo Arraial Rio de Pedras adotou a denominação de Acuruí, registrada até hoje no frontispício da igreja matriz. As duas igrejas do distrito nasceram justamente nesse período de formação, décadas antes da mudança de nome se consolidar.
As duas igrejas do distrito ficam uma de frente para a outra
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, erguida antes de 1718, ocupa a parte baixa do vilarejo e foi construída pela irmandade formada por homens brancos. Do outro lado da rua, no ponto mais alto do distrito, está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, erguida na primeira metade do século XVIII pela irmandade dos homens negros.
Essa disposição, com os dois templos voltados um para o outro, resume boa parte da organização social da época colonial, quando irmandades religiosas se dividiam conforme critérios raciais impostos pela sociedade escravista. Hoje, as duas igrejas seguem como símbolo da memória coletiva do distrito.


Rua com grandes cactos e igreja histórica ao fundo no distrito de Acuruí, em Itabirito - Foto: Igor Souza


Fachada da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, cercada por jardins no distrito de Acuruí, em Itabirito - Foto: Igor Souza
O que diferencia a arquitetura de cada uma das igrejas?
Apesar de contemporâneas, as duas construções guardam detalhes próprios que refletem o trabalho de artesãos distintos ao longo dos séculos. A igreja matriz sofreu um incêndio em 1822 que destruiu parte da estrutura original, reconstruída ao longo dos séculos XIX e XX sem perder os traços coloniais.
Entre os elementos que marcam a arquitetura dos dois templos estão:
Porta almofadada com verga curva na igreja matriz;
Volutas esculpidas com conchas barrocas nas fachadas;
Torres laterais com janelas sineiras na igreja do Rosário;
Altares internos pintados em tons de azul, cinza e vermelho.
O núcleo histórico foi oficialmente reconhecido como patrimônio?
Sim. O conjunto formado pelas duas igrejas, os casarios coloniais e os muros de pedra preservados foi tombado pela Prefeitura de Itabirito por meio do Decreto nº 7.705, de 2006, reconhecendo a importância cultural do núcleo para a cidade.
Esse reconhecimento formal ajuda a garantir a preservação de elementos que, de outra forma, correriam risco de descaracterização com o tempo:
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição;
Igreja de Nossa Senhora do Rosário;
Casarios em estilo colonial ao longo da rua principal;
Muros de pedra que delimitam os terrenos do distrito.
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O que mais atrai visitantes a Acuruí além das igrejas?
A região reúne diversas cachoeiras em complexos particulares, além da Represa de Rio das Pedras, construída em 1908 para fornecer energia elétrica à recém-criada Belo Horizonte. O Rio das Velhas, que corta o distrito e marca a divisa com Ouro Preto, também atrai quem busca um mergulho em meio à paisagem histórica.
Somando-se ao patrimônio colonial, alguns atrativos ajudam a compor um roteiro mais completo pela região:
Cachoeiras em complexos como Chicadona e Catana da Serra;
Represa de Rio das Pedras, com mais de um século de história;
Cervejarias artesanais produzidas no próprio distrito;
Gastronomia local, com destaque para o tradicional pastel de angu.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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