A Serra do Cipó integra a Serra do Espinhaço, cadeia reconhecida pela UNESCO que se estende por 1.200 km

Uma cordilheira de mais de 1.200 quilômetros atravessa dois estados brasileiros e concentra um dos ecossistemas mais raros do planeta

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
24/08/2026

A Serra do Cipó não é uma formação isolada: ela é apenas um trecho, ainda que um dos mais visitados, de uma cordilheira que corre por 1.200 quilômetros dentro do Brasil. Essa cadeia, a Serra do Espinhaço, atravessa o centro-sul de Minas Gerais até a Chapada Diamantina, na Bahia, e parte dela foi reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera em 2005. Entender essa conexão ajuda a explicar por que o Cipó concentra tanta diversidade de plantas, animais e paisagens em um espaço relativamente pequeno.

Por que a Serra do Espinhaço foi reconhecida como Reserva da Biosfera pela UNESCO?

A cordilheira se estende do Quadrilátero Ferrífero, no centro-sul de Minas Gerais, até a Chapada Diamantina, na Bahia, ao longo de cerca de 1.200 quilômetros. Em 24 de junho de 2005, a UNESCO reconheceu parte dessa área como Reserva da Biosfera, dentro do Programa Homem e a Biosfera.

A reserva reconhecida pela UNESCO inclui:

  • mais de 10 milhões de hectares distribuídos por 172 municípios de Minas Gerais;

  • uma zona núcleo de cerca de 529 mil hectares, com proteção mais rígida;

  • zonas de amortecimento, conectividade, transição e cooperação, que somam a maior parte da área total.

A cadeia funciona como um divisor de águas entre bacias importantes do Brasil

A Serra do Espinhaço não é só uma referência de paisagem: seu relevo organiza o escoamento de água de parte do Sudeste brasileiro. Do lado oeste, as águas seguem para a bacia do Rio São Francisco; do lado leste, correm direto para o oceano Atlântico.

Entre os rios organizados por esse relevo estão:

  • o Rio São Francisco, que recebe as águas do lado oeste da cordilheira;

  • os rios Doce, Jequitinhonha e Paraguaçu, que correm para o leste, em direção ao Atlântico.

Paisagem da Serra do Cipó com campos verdes, montanhas rochosas e céu nublado em MG
Paisagem da Serra do Cipó com campos verdes, montanhas rochosas e céu nublado em MG

Paisagem da Serra do Cipó com campos verdes, montanhas rochosas e céu nublado em MG - Foto: Igor Souza

Que biomas se encontram na Serra do Espinhaço?

A cordilheira ocupa uma posição estratégica entre três biomas brasileiros: o Cerrado a oeste, a Mata Atlântica a leste e a Caatinga na porção mais ao norte. Essa combinação torna a região um ponto de encontro raro de vegetações distintas.

Nas altitudes mais elevadas, predominam os campos rupestres, ecossistema que abriga entre 2.000 e 3.000 espécies de plantas, com cerca de 30% de endemismo. Estima-se que 67% das espécies vegetais ameaçadas de extinção em Minas Gerais estejam concentradas justamente nessa faixa de altitude.

Quando o Parque Nacional da Serra do Cipó foi criado?

O parque foi criado em 25 de setembro de 1984, pelo Decreto Federal nº 90.223, e fica a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte. A unidade protege aproximadamente 100 mil hectares de cerrado, campos rupestres e matas, além de rios, cachoeiras, cânions, cavernas e sítios arqueológicos.

Em 1990, foi criada a Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira no entorno do parque, ampliando a área protegida. A formação geológica da região é pré-cambriana, com rochas arenosas originadas de depósitos marinhos com mais de 1,7 bilhão de anos.

Paisagem da Serra do Cipó com lago, vegetação verde, paredões rochosos e pequena cachoeira ao fundo
Paisagem da Serra do Cipó com lago, vegetação verde, paredões rochosos e pequena cachoeira ao fundo

Paisagem da Serra do Cipó com lago, vegetação verde, paredões rochosos e pequena cachoeira ao fundo - Foto: Igor Souza

A biodiversidade do Cipó reflete a riqueza de toda a Serra do Espinhaço.

O parque reúne mais de 1.600 espécies de plantas catalogadas, entre sempre-vivas, orquídeas raras, bromélias e canela-de-ema, muitas delas adaptadas aos solos rochosos e exclusivas da região. A fauna inclui lobo-guará, tamanduá-bandeira, veados e jaguatiricas.

Entre as cachoeiras mais conhecidas do parque estão:

  • a Cachoeira da Farofa, com cerca de 80 metros de queda;

  • a Cachoeira do Gavião;

  • a Cachoeira das Andorinhas;

  • a Cachoeira Congonhas, ligada a um circuito mais esportivo.

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Vale a pena visitar a Serra do Cipó para entender a Serra do Espinhaço?

O Cipó é uma das partes mais conhecidas da cordilheira, ao lado de trechos como o Caraça e a Chapada Diamantina, enquanto boa parte do miolo da serra segue pouco visitada. Conhecer o parque ajuda a entender, em escala menor, a importância ecológica de toda a cadeia.

Vale lembrar que os campos rupestres são ecossistemas frágeis, com muitas espécies que não existem em nenhum outro lugar do planeta: seguir pelas trilhas demarcadas ajuda a preservar essa riqueza para quem vier depois.

Trilha de terra entre campos verdes e montanhas rochosas na paisagem da Serra do Cipó, MG
Trilha de terra entre campos verdes e montanhas rochosas na paisagem da Serra do Cipó, MG

Trilha de terra entre campos verdes e montanhas rochosas na paisagem da Serra do Cipó, MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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