A poucos quilômetros de Ouro Preto existe um cânion com passarela que quase ninguém conhece
Uma passarela suspensa atravessa um desfiladeiro de quartzito a poucos minutos de Ouro Preto, e quase ninguém conhece o caminho até lá
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
29/07/2026
Enquanto turistas fazem fila para fotografar as igrejas do centro histórico de Ouro Preto, um cânion moldado por rio e vento permanece praticamente vazio a poucos quilômetros dali. A formação fica no distrito de Santo Antônio do Salto e ganhou uma passarela suspensa que atravessa o desfiladeiro de um lado a outro. O acesso exige mais planejamento do que os pontos tradicionais da cidade, o que explica por que o lugar ainda passa longe das rotas mais conhecidas.
O cânion fica no distrito de Santo Antônio do Salto, em Ouro Preto
Santo Antônio do Salto é um dos distritos de Ouro Preto reconhecido pela paisagem natural, distante do circuito das igrejas barrocas que atrai a maior parte dos visitantes da cidade. Foi nessa região que o Rio do Funil esculpiu, ao longo do tempo, o desfiladeiro que deu nome ao cânion.
A prefeitura de Ouro Preto classifica o local entre os atrativos de picos, cumes e serras do município, o que ajuda a situar o cânion no conjunto de formações rochosas que cercam a cidade histórica. Mesmo assim, o acesso pouco sinalizado mantém o fluxo de visitantes bem menor do que o de outros pontos próximos.
Como é a trilha até a passarela do Funil?
O trajeto começa em terreno de terra batida e depois segue por uma passarela construída para permitir a travessia segura de um lado a outro do cânion, em um percurso de cerca de 1,5 quilômetro. Quem chega de carro consegue estacionar bem próximo do início da caminhada, o que reduz o esforço necessário para completar o passeio.
A caminhada é classificada como fácil e pode ser feita por pessoas sem preparo físico específico, mas alguns cuidados fazem diferença, já que parte do trajeto corre por terreno irregular e exposto ao sol:
Calçado fechado e com boa aderência;
Protetor solar e chapéu;
Água suficiente para ida e volta;
Celular ou câmera carregados para a vista da passarela.
O que torna essa formação rochosa tão rara?
A base geológica da região é o quartzito, rocha conhecida pela resistência à erosão quando comparada a outras formações comuns em Minas Gerais. Essa resistência permitiu ao relevo manter blocos imensos de pedra ao longo de bilhões de anos.
O resultado aparece na paisagem vista hoje da passarela, com paredões verticais e fissuras estreitas moldadas por um período geológico imenso. Alguns fatores ajudam a entender por que essa combinação é pouco comum:
Resistência do quartzito à erosão;
Ação constante do vento sobre os blocos de pedra;
Trabalho da água da chuva no desenho das fissuras;
Tempo de formação estimado em bilhões de anos.


Passarela cercada por vegetação exuberante no Cânion do Funil, em Ouro Preto, entre paredões rochosos - Foto: Igor Souza


Formação rochosa cercada por vegetação no Cânion do Funil, em Ouro Preto, sob céu azul com nuvens - Foto: Igor Souza
É preciso contratar um guia para visitar o cânion?
A entrada na trilha não costuma ter cobrança, mas o acesso ao Cânion do Funil está longe de ser simples. As estradas até Santo Antônio do Salto têm pouca sinalização, e o início do percurso fica dentro de uma propriedade particular, o que pede atenção redobrada de quem vai sem acompanhamento.
Por isso, operadoras da região recomendam contratar um guia local, que conhece o caminho e negocia a passagem pela propriedade. Antes de sair, vale confirmar:
Se o guia inclui transporte até o início da trilha;
As condições da estrada de terra em dias de chuva;
O horário recomendado para evitar sol forte;
Necessidade de autorização prévia para entrar na propriedade.
A passarela separa o cânion do canal que abastece uma usina
Um dos detalhes que chama atenção de quem cruza a passarela é a diferença entre as duas margens do percurso. De um lado, o cânion talhado na rocha pelo Rio do Funil; do outro, um canal de água que abastece uma pequena usina hidrelétrica da região.
Essa mistura de paisagem natural e infraestrutura reforça o caráter pouco convencional do passeio, com uma vista pouco comum para os padrões de Ouro Preto.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Vale a pena incluir o cânion no roteiro por Ouro Preto?
Para quem já conhece o centro histórico e busca algo diferente, o cânion funciona como um complemento natural ao roteiro tradicional. A proximidade com outros distritos de paisagem preservada, como Lavras Novas, permite organizar um dia inteiro fora do circuito urbano.
Antes de incluir o passeio, vale reservar uma manhã inteira, já que o deslocamento até Santo Antônio do Salto soma tempo à caminhada em si. Alguns pontos ajudam a planejar melhor a visita:
Sair cedo para temperaturas mais amenas;
Levar lanche e água, já que não há comércio próximo à trilha;
Confirmar a previsão do tempo antes de seguir viagem;
Combinar o passeio com distritos próximos, como Lavras Novas.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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