A menos de 2h de BH, Acuruí atrai quem busca cachoeiras e águas cristalinas
Uma queda d'água ajudou a energizar a capital mineira e hoje esconde cachoeiras de poços claros a menos de duas horas dela. Veja como chegar e quando ir
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
03/08/2026
Poucas pessoas sabem que uma queda d'água de Acuruí ajudou a energizar Belo Horizonte nos primeiros anos da capital mineira. Hoje, a mesma força das águas atrai visitantes por outro motivo: cachoeiras de poços claros, cercadas por trilhas sinalizadas e paisagens da Serra da Gandarela. A menos de duas horas da capital, o distrito mistura história e natureza como poucos destinos próximos.
De onde vem o nome que batiza o distrito?
O nome Acuruí tem origem tupi e significa algo como "rio das pedras", numa referência direta ao curso d'água que corta a região. Os primeiros registros do vilarejo datam de 1709, quando bandeirantes chegaram à margem direita do Rio das Velhas em busca de ouro e pedras preciosas durante o ciclo do ouro em Minas Gerais.
Com o tempo, os tropeiros que cruzavam as trilhas coloniais também deixaram sua marca, erguendo fazendas, pontos de comércio e pousadas para quem passava pela região. Essa mistura de garimpeiros e viajantes formou a base do distrito, que hoje pertence ao município de Itabirito e integra oficialmente o traçado da Estrada Real.
Como chegar a Acuruí saindo de Belo Horizonte?
O trajeto mais comum passa pela Rodovia dos Inconfidentes, sentido Ouro Preto, até o trevo conhecido como Trevo de Capanema. Dali, o caminho segue por estrada asfaltada por alguns quilômetros até a placa que indica a entrada do distrito, e o trecho final costuma ser feito em estrada de terra.
Ao todo, o percurso desde Belo Horizonte soma cerca de 70 a 80 quilômetros, dependendo da rota escolhida, e dura em torno de uma hora e meia. Antes de sair, vale conferir estes pontos:
Condição da estrada de terra no trecho final, principalmente em dias de chuva;
Sinal de internet, que costuma cair no distrito e nas cachoeiras;
Combustível, já que não há postos dentro do vilarejo.
As águas cristalinas concentram os principais atrativos da região
Divididos entre dois complexos, eles reúnem a maior parte das quedas visitadas por quem chega ao distrito. Dentro deles, cada trilha leva a um cenário diferente:
Cachoeira do Cascalho, considerada a mais famosa e estruturada do distrito;
Cachoeira do Cruzado, ao final da trilha mais longa do Complexo Catana da Serra;
Cachoeira Carrancas, também dentro do Complexo Catana da Serra;
Complexo Chicadona, nas veredas próximas, com três quedas d'água distintas.
O Complexo Catana da Serra cobra entrada para manutenção das trilhas, que ficam sinalizadas ao longo do percurso. Já no Complexo Chicadona, a primeira queda tem cerca de 50 metros de altura e forma, na base, um poço de profundidade moderada, o que a torna mais acessível para famílias com crianças pequenas.


Rua do centro histórico de Acuruí com cactos, igreja ao fundo e luz do entardecer, MG - Foto: Igor Souza


Cachoeira da Carranca entre paredões rochosos, cercada por vegetação nativa em Acuruí, MG - Foto: Igor Souza
Qual a melhor época para visitar as cachoeiras?
O período de seca, entre maio e setembro, costuma render os poços mais limpos e volumes de água mais estáveis para banho. Nos meses de chuva, o acesso a algumas trilhas fica mais difícil e o nível dos rios sobe, o que reduz a visibilidade da água.
Fora da época seca, vale reservar os passeios com atenção redobrada ao clima do dia anterior. Muitas cachoeiras ficam em propriedades particulares, então checar o funcionamento antes de sair evita percalços na estrada de terra.
Onde se hospedar e comer no distrito?
A oferta de hospedagem em Acuruí vai de pousadas a chalés de aluguel por temporada, com diárias que partem de valores próximos a R$ 400 o casal em alta temporada. Algumas propriedades também oferecem serviço de day-use, com acesso a piscina e restaurante por um valor fixo durante o dia.
Para quem prefere sair do circuito das pousadas, o distrito também guarda opções simples de alimentação e produção local:
Acuruí Bar e Restaurante, com comida caseira;
Acuruí Cervejaria, com produção própria no distrito;
Restaurantes dentro dos complexos de cachoeiras, voltados para quem já está no passeio.
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A história colonial ainda está viva nas construções locais
Principalmente em duas igrejas erguidas no auge da mineração de ouro:
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1718;
Capela Nossa Senhora do Rosário, erguida pelos escravizados da época.
Além das igrejas, uma barragem de 40 metros levantada em uma queda d'água do Rio das Velhas também remete a esse passado: ela foi construída para fornecer energia à nova capital mineira, e hoje o lago formado por ela dá nome ao Balneário Rio de Pedras, ainda usado pelos moradores da região.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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