A maravilha de pedra que desafia a natureza, um lindo ponto turístico mineiro que você precisa visitar
Um aqueduto do século XVIII construído sem cimento, com técnica romana, erguido por escravos em Minas Gerais. Esse monumento fica a 12 km do centro de Catas Altas e a entrada é gratuita
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
16/07/2026
No ano de 1792, mãos escravizadas ergueram pedra por pedra um aqueduto de 251 metros de comprimento e 5,10 metros de altura numa região de extração de ouro em Minas Gerais. Sem cimento, sem argamassa, apenas quartzito encaixado numa técnica inspirada na engenharia romana. Hoje o Bicame de Pedra de Catas Altas é eleito uma das 21 maravilhas da Estrada Real, tombado pelo município desde 1998 e aberto à visitação gratuita qualquer dia da semana. Quem chega até lá raramente esperava encontrar algo com essa escala.
O que torna a construção tão impressionante
A técnica usada no Bicame de Pedra tem nome: canjicado. É uma alvenaria de pedra seca que dispensa argamassa por completo. As pedras são encaixadas de forma que o peso de cada uma sustenta as vizinhas. O princípio fica mais evidente no arco central do portal, onde as pedras foram posicionadas para que umas travem as outras, sem nenhum elemento adicional de fixação.
No topo da estrutura, conservado em boa parte da extensão original, fica o canal aberto por onde a água da Serra do Caraça descia até a localidade de Brumado. A função era direta: fornecer água para a lavagem dos minérios e separação do ouro. Os dois elementos que definem visualmente o monumento são:
O paredão de quartzito com quase cinco metros de altura, que se estende pela paisagem em linha quase reta;
O arco central do portal, ponto obrigatório de fotografia e demonstração mais clara da técnica romana aplicada.


Trecho do Bicame de Pedra em Catas Altas, com estrutura histórica de pedras e montanhas ao fundo - Foto: Igor Souza


Vista do Bicame de Pedra em Catas Altas cercado por mata, estrada rural e montanhas da Serra do Caraça - Foto: Igor Souza
Por que o Bicame existe onde existe
O ouro extraído das minas da região precisava ser lavado para a separação dos minérios. A localidade de Brumado, na parte baixa do terreno, era onde essa etapa acontecia. Para levar água da Serra do Caraça até lá com volume e constância suficientes, construíram o aqueduto.
A obra é também um registro do trabalho forçado que sustentou toda a economia mineradora da região. Não há documentação precisa sobre quem a projetou ou coordenou, mas a execução foi feita por pessoas escravizadas. O resultado atravessou dois séculos e ainda está de pé.
O Bicame integra hoje a Rota Nos Passos de Dom Viçoso, trilha de 88 quilômetros que parte do Santuário do Caraça e vai até Mariana, criada em homenagem ao sétimo bispo de Mariana que percorreu esse caminho em missão religiosa. Quem faz a trilha completa passa pelo aqueduto como uma das paradas centrais do percurso. Os municípios que a rota atravessa são:
Catas Altas;
Santa Bárbara;
Santa Rita Durão, distrito de Mariana;
Camargos;
Mariana.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Como chegar e o que esperar na visita
O acesso sai do centro de Catas Altas pela MG-129 em direção a Santa Bárbara por 8 quilômetros, seguido de mais 4 quilômetros de estrada de terra pela Estrada do Bicame. O local fica no povoado de Quebra Ossos e não tem iluminação, por isso a visita deve ser feita durante o dia. A recomendação é reservar entre 30 e 60 minutos para o percurso e as fotografias.
O Bicame fica em área aberta, sem cobrança de ingresso e sem estrutura comercial no entorno. Há trânsito de caminhões de mineradoras na região, o que exige atenção redobrada nos trechos de terra. Para quem vai de carro, é possível estacionar próximo ao monumento e caminhar até ele. O acesso de moto ou bicicleta é mais fácil nos trechos finais de terra batida.
Quem planeja o dia inteiro em Catas Altas consegue combinar o Bicame com outros atrativos do município. Os pontos que ficam no caminho ou nas proximidades e completam bem o roteiro são:
Centro Histórico de Catas Altas, com a Praça Monsenhor Mendes e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição;
Distrito de Morro D'Água Quente, com muros de canga e a Feira Sabores do Morro no segundo domingo de cada mês.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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