A Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, chegou a Itabirito ainda no final do século XIX
Uma estação de pedra de 1887 mudou o destino de uma cidade mineira. Veja como a ferrovia do Império chegou e o que funciona hoje no antigo prédio
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
01/11/2026
Em 16 de julho de 1887, a Estrada de Ferro Dom Pedro II abriu uma estação no antigo distrito de Itabira do Campo. A data mudou o rumo da economia local, e o prédio de pedra daquela época continua de pé no centro da cidade. Hoje, a estação ferroviária de Itabirito é parada obrigatória para quem quer entender como os trilhos moldaram esse pedaço de Minas.
Como a Estrada de Ferro Dom Pedro II chegou até aqui?
A Linha do Centro foi a primeira construída pela Estrada de Ferro Dom Pedro II e funcionava como a espinha dorsal de todo o sistema. O plano era ambicioso: sair do Rio de Janeiro e alcançar o rio São Francisco, cortando Minas Gerais pelo meio.
Esse avanço não aconteceu de uma vez. Foram quase três décadas entre o primeiro trecho e a chegada a Itabira do Campo, numa sequência que ajuda a dimensionar o tamanho da empreitada:
1858: primeiro trecho, da estação Dom Pedro II até Belém, atual Japeri;
1864: depois de vencer a serra das Araras, a linha chega a Barra do Piraí;
1875: os trilhos alcançam Juiz de Fora;
1884: decreto imperial aprova ajustes no projeto do prolongamento até Sabará;
1887: inauguração da estação de Itabira do Campo.
Por que a estação se chamava Itabira do Campo?
Antes de ganhar o nome atual, a cidade era um distrito chamado Itabira do Campo, e a estação seguiu a mesma identificação. O nome antigo ainda aparece num mapa da Central de 1898 e numa publicação de 1902.
Na década de 1920, os registros já trazem o nome Estação Itabirito. A mudança acompanhou a própria cidade, que conquistou a emancipação política em 7 de setembro de 1923, depois de décadas de crescimento puxado pela ferrovia.
Os trilhos tiraram a economia local do sufoco
Desde 1845, a mineração de ouro vinha perdendo força, e a região precisava de outra saída. Com a ferrovia, ficou mais fácil escoar mercadorias e trazer o que vinha de fora, e isso mudou a lógica dos negócios por ali.
O efeito apareceu rápido. A Usina Esperança abriu as portas já no ano seguinte à inauguração da estação, e a cidade passou a atrair investimentos em três frentes:
siderurgia;
indústria têxtil;
produção de couro.


Antiga estação ferroviária com locomotiva e vagão histórico em Itabirito, MG - Foto: Igor Souza


Fachada da antiga estação ferroviária de Itabirito, MG, com arquitetura histórica e telhado colonial - Foto: Igor Souza
O que mudou quando a Dom Pedro II virou Central do Brasil?
Com a Proclamação da República, a ferrovia deixou de homenagear o imperador. A estação de Itabira do Campo funcionou apenas dois anos sob o nome imperial e, a partir daí, passou por duas administrações:
Estrada de Ferro Central do Brasil, de 1889 a 1975;
Rede Ferroviária Federal, de 1975 a 1996.
A linha nunca foi desativada. Os trilhos continuam em uso, mas apenas por trens de carga, o que significa que hoje não há embarque de passageiros na estação.
O que funciona hoje no prédio da antiga estação?
O conjunto ferroviário foi tombado pelo patrimônio municipal e passou por uma revitalização completa em 2003, quando surgiu o Complexo Turístico da Estação. Além do prédio principal, de alvenaria de pedra, ele preserva outras estruturas ferroviárias originais.
Quem chega esperando apenas um prédio antigo se surpreende. O espaço deixou de ser só memória e hoje reúne quatro frentes funcionando no mesmo endereço:
Centro de Referência e Informações Turísticas;
Associação de Artistas e Artesãos;
Salão dos Ferroviários;
Biblioteca Pública Municipal Professor D’aulas de Azevêdo.
Como planejar a visita ao Complexo Turístico da Estação?
O complexo fica na Praça Doutor Guilherme, considerada o marco zero da cidade, a cerca de 55 km de Belo Horizonte. A localização no Centro facilita encaixar a visita em qualquer roteiro pela cidade.
Não há muito segredo para organizar o passeio, mas alguns cuidados fazem diferença na hora de montar o dia:
escolher entre a visita por conta própria ou com acompanhamento de guia;
confirmar os horários de funcionamento com a prefeitura antes de sair;
seguir a pé pelo Centro depois, aproveitando a proximidade.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
A estação é o melhor ponto de partida para conhecer a cidade
Começar o roteiro pela estação ajuda a entender a cidade antes de explorá-la. O centro de informações turísticas funciona ali mesmo, e quem passa por lá sai com uma visão mais clara de como a ferrovia mudou a história local.
Para quem pesquisa o que fazer em Itabirito, a visita não exige muito tempo e funciona bem como primeira parada do dia. Depois dela, o restante do passeio pelo centro ganha outro sentido.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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