A cidade mineira que ainda toca sinos do século XVIII, e como chegar lá saindo de BH em 3 horas
A 3 horas da capital, uma cidade histórica preserva sinos antigos, igrejas, trem turístico e um roteiro forte para viajar por Minas
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
14/07/2026
São João del-Rei é uma cidade mineira em que o som também faz parte da visita. No centro histórico, os sinos das igrejas ainda marcam celebrações, lutos, horários e festas religiosas. Para quem sai de BH, o destino cabe em uma viagem de cerca de 3 horas, com história forte e roteiro possível para um dia inteiro.
Por que os sinos tornam São João del-Rei tão diferente?
Em São João del-Rei, os sinos não são apenas detalhe das torres. Eles fazem parte da comunicação da cidade, com toques usados em rituais religiosos, festas, funerais e outros momentos da vida coletiva. Essa tradição entrou no registro do patrimônio imaterial brasileiro em 2009, junto ao ofício dos sineiros em Minas Gerais.
A força desse costume aparece melhor durante a caminhada pelo centro. Para entender o que torna o roteiro diferente, vale prestar atenção em três pontos:
Sinos tocados em igrejas antigas;
Toques com mensagens próprias;
Sineiros que mantêm o ofício vivo.


Igreja São Francisco de Assis em São João del-Rei com fachada colonial e palmeiras ao redor - Foto: Igor Souza


Rua histórica em São João del-Rei com casarões coloniais coloridos e igreja ao fundo - Foto: Igor Souza
Como chegar saindo de BH em cerca de 3 horas?
A distância entre Belo Horizonte e São João del-Rei fica em torno de 183 a 185 km. De carro, a viagem costuma ficar próxima de 3 horas, conforme trânsito, paradas e estrada. De ônibus, há trajeto direto saindo da rodoviária de BH, com duração aproximada entre 3h15 e 3h50.
Para quem vai dirigir, o ideal é sair cedo e não montar um roteiro cheio demais. A cidade merece tempo de caminhada, visita às igrejas e pausa para comer sem pressa:
Sair de BH pela manhã;
Conferir a estrada;
Estacionar perto do centro;
Fazer o roteiro a pé.
O que fazer ao chegar no centro histórico?
O centro de São João del-Rei combina igrejas, casarões, pontes, comércio local e ruas que preservam parte da formação antiga da cidade. A vila foi criada em 1713, no contexto da mineração e dos caminhos do interior de Minas.
Na prática, a melhor experiência é caminhar com calma e deixar o roteiro concentrado. Para uma primeira visita, alguns pontos costumam fazer mais sentido:
Começar pela Catedral do Pilar;
Seguir pelas igrejas do centro;
Observar os sinos;
Passar pelo Museu Ferroviário;
Reservar tempo para a maria-fumaça.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
A maria-fumaça completa o roteiro pela região
Além dos sinos, São João del-Rei tem outro atrativo forte: o trem turístico até Tiradentes. A viagem de maria-fumaça percorre 12 km e passa por paisagens ligadas à memória ferroviária, com saída em um complexo que reúne museu ferroviário e rotunda.
Esse passeio funciona melhor quando o visitante organiza os horários com antecedência. Como a operação pode variar por data, o trem não deve ser tratado como improviso, principalmente em fins de semana, feriados e períodos de maior movimento.
Vale visitar São João del-Rei em um bate e volta?
Vale, mas com uma condição: o roteiro precisa ser enxuto. Saindo cedo de BH, dá para conhecer parte do centro histórico, ouvir os sinos, visitar igrejas importantes e ainda incluir algum atrativo ferroviário, se os horários ajudarem.
Para quem quer aproveitar melhor, dormir uma noite na cidade torna a experiência mais completa. Assim, o visitante sente a rotina dos sinos em diferentes horários e monta um roteiro menos corrido por Minas Gerais:
Bate e volta para um primeiro contato;
Uma noite para ver com calma;
Dois dias para combinar com Tiradentes;
Feriado para incluir o entorno.


Igreja histórica em São João del-Rei com fachada branca e amarela, torre com sino e cruz - Foto: Igor Souza
A tradição do toque dos sinos segue viva na rotina
Há registros de que o sino mais antigo em atividade em São João del-Rei fica na torre da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Estudos históricos apontam que a peça teria sido feita entre 1775 e 1780, por um fundidor de Mariana.
Isso ajuda a explicar por que a cidade é lembrada quando o assunto é linguagem dos sinos. O visitante não encontra apenas igrejas preservadas, mas uma prática sonora que ainda interfere no ritmo do centro histórico.
Quais igrejas ajudam a contar essa história?
A Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar é uma das principais referências desse roteiro. A igreja tem origem no século XVIII, é ligada a irmandades antigas e concentra parte importante da tradição dos sinos na cidade.
Mas a visita não precisa parar nela. O centro histórico reúne templos e espaços que ajudam a formar uma leitura mais completa de São João del-Rei:
Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar;
Igreja de São Francisco de Assis;
Igreja de Nossa Senhora do Carmo;
Igreja de Nossa Senhora do Rosário;
Largo do Carmo.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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