A cidade de Casa Grande em Minas batizada por uma casa onde viviam 60 pessoas sob o mesmo telhado
Uma casa enorme abrigava 15 famílias e sessenta pessoas sob um único telhado, e deu nome a uma pequena cidade nas montanhas de Minas Gerais
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
29/07/2026


Praça arborizada com letreiro turístico e casas simples no centro de Casa Grande, Minas Gerais - Foto: Igor Souza
Poucas cidades no Brasil carregam um nome de origem tão literal quanto Casa Grande, no interior de Minas Gerais. O nome não é força de expressão nem homenagem a alguém: veio de uma casa, construída ainda no período colonial, grande o suficiente para abrigar dezenas de pessoas sob o mesmo teto. A história por trás dessa construção explica boa parte da identidade do município até hoje.
O nome da cidade nasceu de uma casa que abrigava 15 famílias
A origem remonta ao período em que exploradores portugueses, liderados por Bento Correia, chegaram à região em busca de ouro nos riachos locais, ainda no Brasil Colônia. Foi Correia o primeiro morador do local então chamado Pasto dos Eucaliptos, onde depois se ergueu a construção que deu nome ao município.
A casa era grande o bastante para reunir quinze famílias, um total de sessenta pessoas, distribuídas em dependências separadas que cobriam vários lotes, mas dividiam um único telhado. As famílias moravam próximas sem necessariamente se encontrar no dia a dia, um arranjo pouco comum mesmo para os padrões da época.
Como essa casa gigante chegou a abrigar 60 pessoas?
O crescimento da construção acompanhou o próprio crescimento do garimpo na região. À medida que mais famílias chegavam atraídas pelo ouro encontrado nos riachos, novas dependências eram somadas à estrutura original, sempre sob o mesmo teto que já cobria as primeiras famílias instaladas ali.
Esse modelo de ocupação, com moradias conectadas fisicamente mas organizadas como unidades separadas, funcionava como solução prática para abrigar rapidamente quem chegava à região. O resultado foi uma construção maior do que qualquer outra da vizinhança, que acabou batizando o lugar.
O que aconteceu com a casa depois do fim do garimpo?
Com a redução do ouro encontrado nos riachos, o movimento que sustentava a ocupação foi perdendo força. Aos poucos, as famílias que viviam sob o mesmo telhado se dispersaram, e a construção que deu nome ao lugar acabou desmanchada com o passar dos anos.
A partir daí, a economia local se reorganizou em torno de atividades mais estáveis, que ainda hoje sustentam boa parte da população do município. Alguns vestígios e mudanças permanecem visíveis até os dias atuais:
Alicerces da antiga casa, ainda encontrados no terreno;
Agricultura como principal atividade econômica;
Criação de gado voltada à produção de leite;
Produção de trigo e café entre as culturas locais.
Como o povoado virou município?
O distrito de Casa Grande foi criado oficialmente em 22 de setembro de 1921, ainda vinculado ao antigo termo de Queluz, atual Conselheiro Lafaiete. Na época, o território também incluía o povoado vizinho de São Caetano de Paraopeba, que mais tarde ganhou distrito próprio.
A trajetória administrativa do lugar passou por mais de uma mudança até chegar à condição atual de município independente, o que ajuda a entender as camadas de história presentes em um território pequeno:
1921: criação do distrito, vinculado a Queluz;
1938: transferência para o município de Lagoa Dourada;
1962: emancipação e elevação à categoria de município.
Casa Grande faz parte do Caminho Velho da Estrada Real
O município fica a cerca de 128 quilômetros de Belo Horizonte, próximo a Conselheiro Lafaiete, em uma área de montanhas que também abriga a Serra do Pombal. Hoje, Casa Grande integra o Caminho Velho da Estrada Real, rota que reúne cidades históricas ligadas à exploração de ouro em Minas Gerais.
Apesar do tamanho pequeno, com pouco mais de duas mil pessoas segundo o IBGE, o município mantém uma economia que combina tradição rural e produção artesanal vendida na Casa de Cultura local. Entre as atividades que sustentam a região estão:
Agricultura, com destaque para o cultivo de trigo e café;
Pecuária leiteira;
Artesanato em madeira, pintura e tapeçaria.
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O que ver na cidade hoje?
Mesmo sem grandes estruturas turísticas, Casa Grande reserva pontos que valem a parada para quem passa pela região a caminho de outras cidades históricas de Minas. A Igreja de São Sebastião ocupa lugar central na vida da comunidade e mantém a arquitetura simples típica dos povoados menores do estado.
Para quem tem mais tempo disponível, vale reservar uma parte do dia para conhecer outros pontos do município, que combinam natureza e vida local:
Gruta do Morcego, formação natural aberta à visitação;
Igreja de São Sebastião, no centro da cidade;
Estalagem Fazenda Lazer, para quem quer pernoitar na região;
Bar da Cida, opção de refeição local.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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