A cidade a 150 km de BH que vende milhares de doces recheados por dia e virou febre nacional
Uma tradição doce, nascida de receita familiar, transformou uma pequena cidade mineira em parada obrigatória para quem viaja por Minas
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
24/06/2026


Passaporte da Estrada Real em frente ao letreiro Eu Amo Lagoa Dourada em Minas - Foto: Igor Souza
Lagoa Dourada, no Campo das Vertentes, entrou no mapa nacional por um motivo simples e muito mineiro: o rocambole. A cidade fica a cerca de 149 km de Belo Horizonte, é cortada pela Estrada Real em seu perímetro urbano e ficou conhecida como a terra do legítimo rocambole, um pão de ló recheado que movimenta confeitarias, viajantes e a memória gastronômica local.
Por que Lagoa Dourada ficou tão conhecida pelo rocambole?
A fama não nasceu de uma campanha recente. A produção do rocambole em Lagoa Dourada remonta ao início da década de 1900, ligada a uma família local descendente de libaneses. A história menciona Miguel Youssef, que servia pão de ló recheado com doce de leite em formato de rocambole em seu botequim.
Com o tempo, a receita deixou de ser apenas uma lembrança de família e passou a representar a cidade. Hoje, quem cruza Lagoa Dourada encontra o doce em várias lojas e confeitarias, com versões recheadas que ajudam a explicar por que tanta gente faz questão de parar ali durante a viagem:
rocambole de doce de leite;
versões com doces variados;
produção em confeitarias locais;
compra para viagem;
fama ligada à Estrada Real.
O título de Capital Nacional do Rocambole mudou a cidade?
Mudou principalmente a forma como o Brasil passou a reconhecer oficialmente uma tradição que Lagoa Dourada já carregava havia décadas. Em 2023, foi publicada a Lei 14.646, que conferiu ao município o título de Capital Nacional do Rocambole. O reconhecimento reforçou a importância cultural e gastronômica do doce para a cidade.
Antes disso, a iguaria já tinha valor local reconhecido. A importância do rocambole para a economia e a cultura de Lagoa Dourada foi oficializada em 2007, quando o doce foi inventariado como Patrimônio Imaterial Municipal pelo Inventário do Patrimônio Artístico e Cultural.
O que explica tanta procura por um doce recheado?
O rocambole de Lagoa Dourada ganhou força porque une sabor, memória e facilidade de acesso. A cidade está no caminho de viajantes que circulam por rotas históricas de Minas Gerais, especialmente entre destinos do Campo das Vertentes. Assim, o doce virou parada de estrada, lembrança de viagem e motivo para visitar o município.
A cidade é conhecida como “terra do rocambole” e também mantém produção de licores, queijos e doces caseiros, muitos deles usados nos recheios dos famosos pães de ló enrolados:
tradição passada entre gerações;
doces caseiros como recheio;
forte ligação com a pecuária leiteira;
lojas procuradas por viajantes;
identidade gastronômica própria;
presença em festas e eventos locais.
Lagoa Dourada é só rocambole?
Não. O doce é a principal porta de entrada, mas a cidade também tem história, religiosidade e turismo rural. A Igreja Matriz de Santo Antônio, casarões antigos, fazendas históricas e a Cachoeira Bom Retiro aparecem entre os atrativos do município.
Lagoa Dourada também preserva casarões, igrejas com fragmentos da arte colonial mineira e marcos rurais ligados ao seu passado. Entre os atrativos, aparecem ainda a Igreja do Senhor Bom Jesus, a Igreja Nossa Senhora do Rosário, os Passos da Via Sacra e a Festa do Rocambole e Mostra Cultural.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Vale incluir Lagoa Dourada em um roteiro por Minas?
Vale, principalmente para quem gosta de transformar a viagem em experiência de sabor e história. A cidade funciona bem como parada estratégica entre Belo Horizonte, São João del-Rei, Tiradentes e outros destinos do Campo das Vertentes. A distância de cerca de 150 km da capital também favorece bate-voltas mais longos ou roteiros de fim de semana.
Para aproveitar melhor, o ideal é não tratar Lagoa Dourada apenas como ponto de compra rápida. O rocambole pode ser o primeiro motivo da visita, mas o município oferece outras camadas para quem deseja olhar com mais calma:
provar o rocambole tradicional;
conhecer lojas e confeitarias locais;
visitar a Matriz de Santo Antônio;
incluir fazendas históricas no roteiro;
observar o trecho urbano da Estrada Real;
conferir eventos ligados à cultura local;
levar doces para casa.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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