A Capela de Nossa Senhora do Rosário, no centro histórico de Santa Bárbara, é tombada pelo IEPHA e preserva traços do século 18

Erguida em 1756 pela irmandade negra da cidade, a Capela de Nossa Senhora do Rosário resume o patrimônio colonial de Santa Bárbara, no Circuito do Ouro

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
20/09/2026

No centro histórico de Santa Bárbara, cidade que nasceu do ouro encontrado por bandeirantes ainda no início do século XVIII, uma pequena capela guarda uma das histórias mais fortes do período colonial mineiro. A Capela de Nossa Senhora do Rosário, erguida pela irmandade negra da cidade, é hoje tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) e mantém traços originais que atravessaram mais de 250 anos. Junto com outras construções do período do ouro, ela ajuda a explicar por que Santa Bárbara segue como parada obrigatória do Circuito do Ouro, na Estrada Real.

Santa Bárbara nasceu do ouro encontrado por um bandeirante em 1704

A cidade começou como Arraial de Santo Antônio do Ribeirão Santa Bárbara, fundado em 4 de dezembro de 1704 pelo bandeirante Antônio Silva Bueno, que encontrou ouro de aluvião e pedras preciosas na região. O povoado logo se tornou ponto de passagem entre o Rio de Janeiro e as áreas de mineração do centro e norte de Minas Gerais, crescendo junto com o ciclo do ouro ao longo do século XVIII.

Hoje o município soma 30.466 habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2022, e fica a cerca de 98 quilômetros de Belo Horizonte, por rodovias como a BR-381, a BR-262 e a MG-436. Alguns números resumem essa trajetória:

  • Fundação em 4 de dezembro de 1704, como Arraial de Santo Antônio do Ribeirão Santa Bárbara;

  • Fundador: o bandeirante Antônio Silva Bueno, atraído pelo ouro de aluvião da região;

  • População de 30.466 habitantes, segundo o Censo do IBGE de 2022;

  • Distância de cerca de 98 quilômetros de Belo Horizonte.

A Capela de Nossa Senhora do Rosário guarda a história da irmandade negra da cidade

A construção da Capela de Nossa Senhora do Rosário, também conhecida como Rosário dos Negros, começou em 1756, erguida pela irmandade que reunia pessoas negras, mulatas e mestiças, muitas vezes impedidas de frequentar as igrejas principais durante o período colonial. O templo conserva até hoje piso de tabuado corrido, já restaurado, e corredores revestidos com lajes de pedra, características típicas das construções religiosas do século XVIII em Minas Gerais.

A tradição local também guarda uma lenda sobre um túnel escavado por escravos fugidos, que teria servido para que um padre se deslocasse discretamente entre sua residência e a capela. Hoje tombada pelo IEPHA, a capela é aberta à visitação gratuita e segue como um dos registros mais importantes da presença negra na formação histórica da cidade. Alguns pontos resumem esse patrimônio:

  • Construção iniciada em 1756, pela irmandade de Nossa Senhora do Rosário;

  • Piso de tabuado corrido e corredores em lajes de pedra, já restaurados;

  • Lenda de um túnel escavado por escravos fugidos, ligando a capela à casa do padre;

  • Tombamento pelo IEPHA e visitação gratuita ao público.

Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Bárbara, MG, cercada por jardim e construções histórica
Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Bárbara, MG, cercada por jardim e construções histórica

Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Bárbara, MG, cercada por jardim e construções históricas - Foto: Igor Souza

Torre da Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Bárbara, MG, com detalhes azuis e sino
Torre da Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Bárbara, MG, com detalhes azuis e sino

Torre da Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Santa Bárbara, MG, com detalhes azuis e sino - Foto: Igor Souza

Outras igrejas e construções completam o patrimônio colonial de Santa Bárbara

Além da Capela do Rosário, a Igreja Matriz de Santo Antônio é outro marco do centro histórico. Sua construção começou em 1713, tornando-a uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais, embora só tenha sido totalmente concluída no fim do século XVIII. O teto da capela-mor é atribuído a Mestre Ataíde e seus discípulos, com efeitos de perspectiva que reforçam a cena da Ascensão de Cristo.

O conjunto histórico da cidade também inclui a antiga Pharmacia Sant'Anna, igualmente tombada, e o Memorial Affonso Pena, dedicado ao ex-presidente do Brasil nascido em Santa Bárbara. Alguns pontos resumem esse conjunto:

  • Igreja Matriz de Santo Antônio, com construção iniciada em 1713;

  • Teto da capela-mor atribuído a Mestre Ataíde e seus discípulos;

  • Pharmacia Sant'Anna, construção histórica também tombada;

  • Memorial Affonso Pena, dedicado ao ex-presidente nascido na cidade.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Santa Bárbara também é porta de entrada para o Santuário do Caraça

Além do patrimônio urbano, Santa Bárbara divide com o vizinho Catas Altas parte do território do Santuário do Caraça, reserva natural erguida aos pés da serra que leva esse nome, a cerca de 24 quilômetros do centro da cidade. A proximidade permite que quem visita Santa Bárbara combine o roteiro histórico com um passeio pela natureza preservada da serra.

Outros pontos completam a visita à cidade, como a antiga estação ferroviária, inaugurada em 1912 e desativada em 1997, e a Casa do Mel, espaço dedicado à produção local de mel. Alguns elementos resumem esse roteiro mais amplo:

  • Proximidade com o Santuário do Caraça, a cerca de 24 quilômetros do centro;

  • Antiga estação ferroviária, inaugurada em 1912 e desativada em 1997;

  • Casa do Mel, dedicada à produção local de mel;

  • Conjunto histórico integrado ao Circuito do Ouro, na Estrada Real.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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