A apenas 6 km do centro de Catas Altas, Morro D'Água Quente guarda relíquias do século XVIII
A poucos minutos de um destino conhecido de Minas Gerais existe um vilarejo onde capelas, muros e ruínas seguem quase intactos desde o século 18
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
11/08/2026
Seis quilômetros separam o centro de Catas Altas do povoado de Morro D'Água Quente, distância suficiente para encontrar um cenário que parou, em boa parte, no século XVIII. A localidade nasceu com a chegada de uma família portuguesa dedicada à extração de ouro e ainda guarda construções erguidas por mão de obra escrava naquele período. Entre capelas, muros de pedra e ruínas de moinhos, o distrito funciona como um registro físico de um momento específico da história de Minas Gerais.
Como surgiu o povoado de Morro D'Água Quente?
A ocupação da região começou no século XVIII, quando uma família vinda de Portugal se instalou no local e iniciou a exploração de ouro. Domingos Vieira da Silva, um dos integrantes dessa família, teve diversos filhos, todos apontados como mineradores atuantes na área, o que ajuda a explicar a rápida expansão da atividade extrativa ao redor do povoado.
Entre as jazidas exploradas pela família, uma se destacou pela riqueza do minério encontrado. O núcleo inicial do povoado se formou ao redor de:
a Mina do Bananal, considerada uma das mais ricas da região;
os filhos de Domingos Vieira da Silva, responsáveis pela extração;
as primeiras construções erguidas para dar suporte à mineração.
De onde vem o nome do distrito?
O nome Morro D'Água Quente está diretamente ligado às fontes termais que existiam nas proximidades do povoado. Segundo escritos do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, publicados em 1887 a partir de sua passagem pela região de Catas Altas, essas fontes chamavam atenção pela temperatura da água, um traço que diferenciava o local de outros povoados vizinhos formados durante o mesmo ciclo do ouro.
As mesmas fontes que deram origem ao nome acabaram destruídas pela própria atividade que sustentava o povoado. As escavações feitas na busca por mais ouro comprometeram as nascentes termais, deixando apenas vestígios do que um dia foi uma característica marcante da paisagem local.


Casa histórica branca com portas amarelas e detalhes azuis em Morro d’Água Quente, Catas Altas, MG - Foto: Igor Souza


Capela histórica branca com portas azuis sob uma grande árvore em Morro d’Água Quente, Catas Altas, MG - Foto: Igor Souza
A Capela de Nosso Senhor do Bonfim é a principal relíquia do distrito
Erguida no final do século XVIII, a Capela de Nosso Senhor do Bonfim foi construída com mão de obra escrava, prática comum nas edificações religiosas da época. As características estilísticas presentes na construção, tanto na fachada quanto no interior, ajudam historiadores a datar a obra dentro desse período específico da história colonial mineira.
O interior da capela chama atenção pelo altar-mor em estilo rococó, com pinturas douradas que resistem até hoje. O chão é formado por ladrilhos vermelhos feitos de terra, e a imagem do Senhor do Bonfim ocupa o trono principal, no centro da decoração, reforçando o papel do templo como referência religiosa do povoado.
Que outros vestígios do século XVIII resistem no povoado?
Além da capela, o povoado preserva outros elementos físicos ligados diretamente ao período de exploração do ouro. Essas estruturas, mesmo parcialmente deterioradas pelo tempo e pela ação humana, ajudam a compor o cenário histórico que caracteriza Morro D'Água Quente até hoje.
Entre os vestígios mais visíveis para quem visita o distrito estão:
ruínas de antigos moinhos usados no processo de mineração;
muros de pedra construídos ainda no século XVIII;
restos das fontes termais que deram nome ao povoado.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Vale a pena visitar Morro D'Água Quente hoje?
A cerca de seis quilômetros do centro de Catas Altas, o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Morro D'Água Quente foi declarado patrimônio histórico pelo município em 1998. O reconhecimento reforça a importância de preservar o conjunto de construções e paisagens que ainda define o distrito, mesmo diante do avanço natural do tempo sobre as edificações mais antigas.
Para quem pretende conhecer o local, alguns pontos costumam compor o roteiro de visita:
a Capela de Nosso Senhor do Bonfim, mediante agendamento prévio;
as trilhas que cortam o entorno do povoado;
as cachoeiras próximas ao distrito;
o balneário formado pelas águas que ainda restam na região.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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