A 90 km de Belo Horizonte, Bonfim guarda registros que remontam à expedição de Fernão Dias em 1674

A cerca de 90 km da capital mineira, uma pequena cidade guarda vestígios de uma expedição que ajudou a formar o estado inteiro, ainda no século XVII

Escrito por:
Leonardo Coelho

Publicado em:
10/09/2026

Antes de existir qualquer cidade com esse nome, já havia gente passando por essas terras em busca de esmeraldas que nunca foram encontradas. A 90 quilômetros de Belo Horizonte, Bonfim guarda registros que remontam à expedição de Fernão Dias, em 1674, um dos episódios mais importantes da história brasileira na formação de Minas Gerais. Hoje, essa cidade mineira antiga combina passado colonial e belezas naturais dentro do Vale do Paraopeba, num ritmo bem diferente do das grandes cidades vizinhas.

Como a expedição de Fernão Dias chegou a essa região?

Em 21 de julho de 1674, partiu de São Paulo a bandeira conhecida como Aura Sacra Fames, a Sagrada Fome do Ouro, liderada pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme. A expedição tinha como principal objetivo encontrar a lendária Serra de Sabarabuçu, cheia de esmeraldas segundo os relatos da época, além de outros metais preciosos.

A comitiva reunia um número considerável de pessoas, entre brancos, mamelucos e indígenas, número que ajuda a entender o tamanho da empreitada:

  • Cerca de 40 homens brancos;

  • Cerca de 600 mamelucos e índios.

Quem eram os habitantes da região antes da chegada dos europeus?

Antes da chegada dos bandeirantes, o território que hoje forma Bonfim era habitado por índios Cataguases, povo que conhecia bem essas terras muito antes de qualquer europeu. Eles ocupavam essa parte do vale do Rio Paraopeba muito antes de qualquer expedição em busca de metais preciosos.

O povoamento permanente e efetivo da região, no entanto, só se consolidou na primeira metade do século XVIII, décadas depois da passagem de Fernão Dias por essas terras. Foi só nesse período que colonos começaram a se fixar de forma definitiva no local.

A colonização efetiva começou com Manoel Teixeira Sobreira

A ocupação definitiva da região começou com Manoel Teixeira Sobreira, colonizador que chegou ao local no limiar do século XVIII. Alguns fatos ajudam a entender o papel dele na formação da cidade:

  • Trouxe escravos e colonos para formar o núcleo conhecido como Rocinha;

  • Recebeu uma sesmaria por carta de 3 de janeiro de 1750;

  • Implantou lavouras que ajudaram a desbravar o território;

  • Era devoto de Nosso Senhor do Bonfim;

  • Doou a imagem do santo, trazida de Portugal, para a igreja do povoado.

Essa imagem trazida por Sobreira ainda hoje ornamenta o altar-mor do Santuário do Nosso Senhor do Bonfim, principal referência religiosa da cidade e um dos símbolos mais fortes de sua identidade colonial.

Cristo Redentor, cruz e pequena capela em área elevada e arborizada de Bonfim, MG
Cristo Redentor, cruz e pequena capela em área elevada e arborizada de Bonfim, MG

Cristo Redentor, cruz e pequena capela em área elevada e arborizada de Bonfim, MG - Foto: Igor Souza

Estátua do Cristo Redentor de Bonfim, MG, vista de baixo contra o céu azul com nuvens
Estátua do Cristo Redentor de Bonfim, MG, vista de baixo contra o céu azul com nuvens

Estátua do Cristo Redentor de Bonfim, MG, vista de baixo contra o céu azul com nuvens - Foto: Igor Souza

Como o povoado se tornou o município de Bonfim?

O distrito foi criado em 1832, com o nome de Bonfim de Paraopeba, então subordinado ao município de Queluz, cidade que teve papel importante na organização administrativa da região. A partir daí, a trajetória administrativa da região passou por diferentes etapas ao longo do século XIX.

Cada uma dessas etapas foi marcada por uma nova denominação ou categoria administrativa, até chegar à condição atual de cidade. Os principais marcos foram:

  • 1839: elevação à categoria de vila, desmembrada de Queluz;

  • 1842: instalação oficial da vila de Bonfim de Paraopeba;

  • 1860: elevação à condição de cidade, já com o nome Bonfim.

Onde fica Bonfim hoje e como chegar até lá?

Bonfim está a cerca de 930 metros de altitude e faz divisa com Belo Vale, Brumadinho, Crucilândia, Piedade dos Gerais e Rio Manso. Alguns dados práticos ajudam a situar a cidade dentro do estado:

  • Cerca de 90 quilômetros de distância da capital mineira;

  • Altitude média de 930 metros;

  • Acesso pela rodovia MG-040;

  • Acesso também pela BR-381.

Brumadinho, a maior cidade dos arredores, fica a apenas 24 quilômetros de distância, o que facilita a inclusão de Bonfim em roteiros mais amplos pela região, especialmente para quem já está visitando esse trecho do estado.

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A economia da cidade ainda reflete essa origem rural

Assim como boa parte das cidades do Vale do Paraopeba, Bonfim segue tendo a agricultura e a pecuária como principais atividades econômicas até os dias de hoje. Esse perfil rural marca o cotidiano da cidade desde os tempos coloniais, quando as primeiras lavouras ajudaram a fixar os primeiros moradores na região.

O legado da expedição de Fernão Dias também segue vivo fora da cidade: as picadas abertas pela bandeira no século XVII ajudaram a inspirar o traçado de estradas modernas, entre elas a Rodovia Fernão Dias, hoje uma das principais ligações entre Minas Gerais e São Paulo.

Leonardo Coelho

Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.

Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo
Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo

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