A 9 km de Diamantina, Curralinho já foi, segundo relatos, comercialmente mais próspero que a própria Diamantina

Um pouso de tropeiros teria sido, séculos atrás, mais rico que a cidade vizinha mais famosa. Hoje, tem menos de 200 moradores

Escrito por:
Leonardo Coelho

Publicado em:
10/10/2026

Um pouso de tropeiros, posicionado num ponto estratégico da Estrada Real, pode ter vivido dias de prosperidade comercial superiores até aos da própria cidade que hoje o abriga como distrito. Essa é a história que se conta sobre Curralinho, a cerca de 9 quilômetros do centro histórico de Diamantina. Hoje com cerca de 200 moradores no povoado, Curralinho guarda uma represa, uma gruta e um passado ligado diretamente à Estrada Real.

Curralinho nasceu como pouso de tropeiros na Estrada Real

Curralinho teve origem ainda no século XVIII, como ponto de descanso para tropeiros que saíam de Ouro Preto e do Rio de Janeiro rumo a Diamantina. O nome do povoado faz referência a um pequeno curral usado para os animais, próximo ao local de parada. Esse tipo de pouso era essencial numa época em que as viagens entre regiões podiam durar semanas inteiras.

Além dos tropeiros de passagem, o povoado abrigou pessoas escravizadas que trabalhavam para contratadores de diamantes e, posteriormente, para a própria Coroa Portuguesa na extração das pedras preciosas. Em 1923, o distrito passou a se chamar oficialmente Extração, mas moradores e visitantes seguem usando o nome Curralinho. Alguns elementos ajudam a situar essa fase inicial do povoado:

  • O pequeno curral para os animais, que deu origem ao nome do povoado;

  • A presença de pessoas escravizadas ligadas à extração de diamantes;

  • O uso do povoado como pouso de tropeiros a partir do século XVIII.

Igreja histórica de fachada branca e azul em Curralinho, distrito de Diamantina, MG
Igreja histórica de fachada branca e azul em Curralinho, distrito de Diamantina, MG

Igreja histórica de fachada branca e azul em Curralinho, distrito de Diamantina, MG - Foto: Igor Souza

Por que Curralinho teria sido mais próspero que a própria Diamantina?

A explicação estaria na localização. Curralinho ficava num ponto estratégico da Estrada Real e recebia o fluxo de tropeiros, mercadorias e viajantes antes de chegarem ao centro diamantífero. Por isso, acredita-se que o povoado pode ter sido comercialmente mais próspero que Diamantina em certos períodos, uma comparação que circula como relato, e não como fato comprovado.

Diamantina, por sua vez, só foi elevada à categoria de vila em 1831, quando deixou de ser o antigo Arraial do Tijuco. Com o tempo, a cidade concentrou riqueza, comércio e poder político na região, e o cenário entre os dois núcleos se inverteu completamente. Alguns marcos ajudam a entender essa mudança de posição:.

  • A elevação de Diamantina à categoria de vila, em 1831;

  • A criação oficial do distrito de Curralinho, em 1862;

  • A concentração de riquezas e do comércio em Diamantina, no século XIX;

  • A mudança do nome oficial do distrito para Extração, em 1923.

Casa colonial com janelas verdes e telhado de barro em Curralinho, distrito de Diamantina, MG
Casa colonial com janelas verdes e telhado de barro em Curralinho, distrito de Diamantina, MG

Casa colonial com janelas verdes e telhado de barro em Curralinho, distrito de Diamantina, MG - Foto: Igor Souza

Que cenários de filmagem e pontos turísticos marcam o distrito?

Curralinho já serviu de locação para a segunda versão da novela Irmãos Coragem, da Rede Globo, exibida em 1995, e um casarão do povoado fez as vezes de prefeitura da cidade fictícia de Coroado. Guias de turismo da região também citam outras produções audiovisuais gravadas no distrito. Esse tipo de atenção costuma reforçar o interesse turístico por povoados pequenos como esse.

Além das gravações, o povoado reúne igrejas antigas, casarões dos séculos XVIII e XIX, uma represa procurada por visitantes e paisagens naturais a poucos minutos do centro, o que torna o passeio fácil de encaixar num roteiro por Diamantina. Entre os pontos que mais chamam atenção no distrito, estão:

  • A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, matriz do distrito;

  • A Capela do Senhor dos Passos;

  • A Represa de Curralinho, bastante procurada por visitantes;

  • O casarão que serviu de prefeitura de Coroado em Irmãos Coragem;

  • Casarões dos séculos XVIII e XIX;

  • A proximidade com a Gruta do Salitre.

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O que mais existe de natureza ao redor de Curralinho?

A cerca de um quilômetro do povoado fica a Gruta do Salitre, conhecida pela acústica, que a torna palco de eventos musicais, e por paredões rochosos de até 80 metros de altura. No passado, o local foi explorado para a extração de salitre, usado na fabricação de pólvora. Curralinho também é porta de entrada para a Mata dos Crioulos, onde vive uma comunidade quilombola. Entre os destaques da região, estão:

  • A Gruta do Salitre, a cerca de 1 km do povoado;

  • A comunidade quilombola da Mata dos Crioulos;

  • Nascentes de rios que alimentam a bacia do Rio Doce;

  • Nascentes que também compõem a bacia do Rio Jequitinhonha;

  • Estradas de acesso que exigem atenção redobrada em dias de chuva.

O acesso ao distrito é feito por estrada de terra, o que exige atenção redobrada em dias de chuva, quando alguns trechos ficam mais difíceis. Um veículo com boa altura em relação ao solo ajuda no percurso final até o povoado. Ainda assim, quem chega considera a paisagem ao longo do caminho parte importante da própria experiência.

Boi descansando sob árvore, com igreja histórica ao fundo em Curralinho, Diamantina, MG
Boi descansando sob árvore, com igreja histórica ao fundo em Curralinho, Diamantina, MG

Boi descansando sob árvore, com igreja histórica ao fundo em Curralinho, Diamantina, MG - Foto: Igor Souza

Leonardo Coelho

Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.

Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo
Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo

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