A 596 metros de altitude e com 3.465 moradores, Presidente Juscelino nasceu de um pouso de tropeiros em Minas

Um simples pouso de tropeiros no interior de Minas cresceu até virar cidade e ganhar o nome de um dos presidentes mais lembrados do Brasil

Escrito por:
Leonardo Coelho

Publicado em:
14/10/2025

A 596 metros de altitude, entre um morro e um rio de água escura, nasceu uma cidade que hoje reúne pouco mais de 3.465 moradores no interior de Minas Gerais. Presidente Juscelino começou como um simples ponto de descanso para tropeiros que cruzavam a região entre Diamantina e Belo Horizonte. Décadas depois, esse pouso de beira de estrada se transformaria em município, carregando o nome de um dos presidentes mais lembrados da história do país.

Presidente Juscelino nasceu do movimento de tropeiros entre Diamantina e Belo Horizonte

O berço da cidade foi um vale de pequena extensão, situado entre o Morro do Coroado e o Rio Paraúna. A riqueza mineral da região, especialmente cristal e quartzo, atraiu mineradores que se instalaram ali para pesquisa e exploração. Ao mesmo tempo, o local se tornou ponto de passagem obrigatório para quem viajava entre Diamantina, Curvelo e Belo Horizonte.

Os tropeiros descarregavam suas tropas à beira do Rio Paraúna para descanso, montando ranchos de capim que davam um aspecto característico à paisagem. Foi esse fluxo constante de viajantes que deu origem ao que ficou conhecido como Arraial dos Ranchos. Sem essa rota de passagem, dificilmente a cidade teria surgido naquele ponto específico do interior de Minas. Essas mesmas rotas de tropeiros fizeram parte da rede de caminhos que mais tarde ficaria conhecida como Estrada Real.

De onde vem o nome Paraúna, que a cidade carregou por décadas?

Antes de se chamar Presidente Juscelino, a cidade era conhecida como Paraúna, nome que remete diretamente à cor do rio que corta a região. Na língua tupi-guarani, a palavra combina os termos que significam rio e preto, formando a expressão rio preto. Essa característica das águas escuras marcou a identidade do lugar por gerações.

O nome Paraúna acompanhou a cidade mesmo depois de ela deixar de ser um simples arraial e se tornar distrito reconhecido oficialmente. Só décadas mais tarde, já como município independente, é que o nome mudaria para homenagear outra figura da história de Minas Gerais. Dois momentos marcam essa transição do nome ao longo do tempo:

  • Simplificação do nome para Paraúna, ainda como distrito;

  • Mudança definitiva para Presidente Juscelino, já como município.

Igreja Matriz de Presidente Juscelino, MG, com fachada alaranjada, telhado de cerâmica e jardim
Igreja Matriz de Presidente Juscelino, MG, com fachada alaranjada, telhado de cerâmica e jardim

Igreja Matriz de Presidente Juscelino, MG, com fachada alaranjada, telhado de cerâmica e jardim arborizado - Foto: Igor Souza

Rio cercado por árvores e vegetação verde, com área de descanso às margens em Presidente Juscelino
Rio cercado por árvores e vegetação verde, com área de descanso às margens em Presidente Juscelino

Rio cercado por árvores e vegetação verde, com área de descanso às margens em Presidente Juscelino - Foto: Igor Souza

Como o Arraial dos Ranchos virou distrito e depois município?

O crescimento do Arraial dos Ranchos levou à sua elevação a distrito em 1872, quando recebeu o nome de São Sebastião do Paraúna, em homenagem ao padroeiro local. O distrito permaneceu subordinado ao município de Curvelo por várias décadas, acompanhando o desenvolvimento da mineração e da agricultura na região. Alguns marcos ajudam a entender essa trajetória administrativa ao longo dos anos:

  • Elevação a distrito em 1872, com o nome São Sebastião do Paraúna;

  • Simplificação do nome para Paraúna em 1938;

  • Emancipação como município em 30 de dezembro de 1962;

  • Instalação oficial do município em 1º de março de 1963.

A emancipação trouxe autonomia administrativa para a região, permitindo que o município passasse a organizar sua própria estrutura de governo. O primeiro administrador foi o intendente Francisco Perdigão, seguido pelo primeiro prefeito eleito, José Iris de Castro. Esse processo consolidou definitivamente a identidade política do que hoje é uma cidade histórica do interior de Minas: Presidente Juscelino.

Por que a cidade recebeu o nome de um ex-presidente da República?

A escolha do nome Presidente Juscelino não foi aleatória. Juscelino Kubitschek de Oliveira, nascido na vizinha Diamantina em 12 de setembro de 1902, era uma figura de grande peso na política mineira e nacional na época da emancipação do município. Homenagear o ex-presidente reforçava também a ligação histórica entre a região e o Vale do Jequitinhonha.

Kubitschek já era amplamente reconhecido por sua atuação como governador de Minas Gerais e, posteriormente, como presidente da República. A homenagem fortalecia o vínculo simbólico entre um pequeno município do interior e um dos nomes mais influentes da política brasileira do século XX. Alguns pontos ajudam a situar essa ligação histórica:

  • Nascimento de Juscelino Kubitschek em Diamantina, em 1902;

  • Atuação como governador de Minas Gerais antes da presidência;

  • Emancipação do município em 1962, já com o novo nome.

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O que a energia elétrica e o forró revelam sobre a identidade local?

Em 1950, ainda como distrito, a região ganhou energia elétrica graças à construção da Usina Hidrelétrica Ulha Branca, erguida cerca de seis quilômetros rio acima. A usina passou a abastecer não só o distrito, mas também Diamantina e outras cidades vizinhas, sendo posteriormente incorporada pela CEMIG. Alguns elementos ajudam a entender a relevância dessa infraestrutura para a região:

  • Construção da Usina Hidrelétrica Ulha Branca em 1950;

  • Abastecimento de energia para o próprio distrito;

  • Fornecimento de energia também para Diamantina;

  • Incorporação da usina pela CEMIG;

  • Operação contínua da estrutura até os dias atuais.

Além da energia, a cidade também é conhecida hoje pelo Forró de Presidente Juscelino, tradição que já integra roteiros turísticos de Minas Gerais. Somado a isso, o município ainda guarda potencial pouco explorado, com grutas, cavernas e inscrições rupestres espalhadas pela região. Essa combinação entre infraestrutura, cultura popular e belezas naturais define bem a identidade local.

Leonardo Coelho

Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.

Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo
Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo

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