A 36 km de Juiz de Fora, Belmiro Braga tem pouco mais de 3 mil habitantes e uma rotina que parece de outro século

Pouco mais de 3 mil moradores, igreja de pedra tombada e ruas que viraram cenário de cinema: uma cidade mineira onde o relógio parece andar mais devagar

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
12/10/2026

São 3.244 moradores espalhados por 393 km², segundo o Censo 2022 do IBGE. A conta dá pouco mais de oito pessoas por quilômetro quadrado, numa cidade da Zona da Mata que começa logo depois de Juiz de Fora. Em Belmiro Braga, o silêncio não é coisa de feriado: é o ritmo normal de um município onde quase todo mundo vive no campo.

Onde fica Belmiro Braga e como chegar até lá?

Belmiro Braga fica no sul da Zona da Mata mineira, perto da divisa com o estado do Rio de Janeiro, na bacia do rio Paraíba do Sul. O município pertencia a Juiz de Fora até 1962, quando foi emancipado.

O Portal Belmiro Braga, loteamento do município, fica a 25 km do centro juiz-forano, e a sede está cerca de 10 km adiante. Quem sai de Belo Horizonte encara uns 295 km de estrada. A partir de Juiz de Fora, o caminho é este:

  • Saída pela BR-040;

  • Entrada na MG-353, que leva até a sede.

Por que a cidade carrega o nome de um poeta?

O antigo distrito de Vargem Grande foi o lugar onde nasceu, em 1872, o poeta Belmiro Braga. Quando o povoado ganhou autonomia e virou município, passou a levar o nome do seu filho mais conhecido.

Belmiro ficou marcado como trovador de versos bem-humorados, que comentavam os costumes da época. Um estudo publicado pela UFMG lembra que ele era chamado de “seu Belmiro” em Juiz de Fora e que Murilo Mendes dedicou a ele um texto em “A Idade do Serrote”.

A maior parte da cidade vive no campo

Dados da Associação Mineira de Municípios mostram que, de cerca de 3,4 mil habitantes, quase 2,5 mil moravam na zona rural. Essa proporção explica a sensação de cidade pequena de verdade: o centro é curto, e o restante do território se divide entre sítios e fazendas antigas.

O clima também ajuda a manter o ritmo mais lento, com média anual em torno de 19 °C, mínimas de 14 °C e máximas de 24 °C. Na prática, quem visita encontra:

  • Manhãs frescas em boa parte do ano;

  • Tardes amenas, sem calor pesado;

  • Noites que pedem um agasalho leve.

Curso d’água cercado por jardins, caminhos de pedra e construções rurais em Belmiro Braga, MG
Curso d’água cercado por jardins, caminhos de pedra e construções rurais em Belmiro Braga, MG

Curso d’água cercado por jardins, caminhos de pedra e construções rurais em Belmiro Braga, MG - Foto: @praondevou

Casarão antigo de fazenda com janelas de madeira e fachada histórica em Belmiro Braga, MG
Casarão antigo de fazenda com janelas de madeira e fachada histórica em Belmiro Braga, MG

Casarão antigo de fazenda com janelas de madeira e fachada histórica em Belmiro Braga, MG - Foto: @praondevou

O que torna São José das Três Ilhas tão especial?

No sul do município, perto da divisa com o Rio, fica o distrito de São José das Três Ilhas, com cerca de 200 moradores. No alto do morro está a Igreja de São José, feita com grandes blocos de pedra, cercada por casarões e ruas de calçamento pé de moleque.

A história começa com uma capela erguida em terreno doado à irmandade do santo. Alguns marcos mostram como o distrito chegou preservado até hoje:

  • 1828: provisão para erguer a capela de São José;

  • 1927: o povoado passa a se chamar São José das Três Ilhas;

  • 1938: o nome oficial vira apenas Três Ilhas;

  • 1997: o conjunto recebe proteção estadual.

Por que o distrito virou cenário de cinema?

A igreja de pedra, as ruas estreitas e as montanhas ao redor chamaram a atenção de diretores. Foi ali que Luiz Fernando Carvalho filmou “Lavoura Arcaica”, de 2001, seu primeiro longa-metragem, baseado no livro de Raduan Nassar.

O distrito também recebeu outras gravações ligadas ao Polo Audiovisual de Juiz de Fora. Estão entre os títulos rodados por lá:

  • “Menino Maluquinho 2”;

  • “O Enfermeiro”.

O centro histórico tem proteção do estado

Em 10 de setembro de 1997, o Conselho Curador do IEPHA-MG aprovou o tombamento estadual do Centro Histórico de São José das Três Ilhas e da Igreja Matriz de São José. Com isso, mudanças no conjunto passam a depender de análise técnica.

O registro do instituto destaca um detalhe importante: o traçado urbano se manteve inalterado. A rua principal continua estreita e sinuosa, o que reforça a sensação de estar em outra época.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Como aproveitar a visita sem pressa?

Belmiro Braga funciona bem como passeio de um dia saindo de Juiz de Fora, mas a ida até Três Ilhas pede planejamento. Guias da região registram cerca de 20 km de estrada de terra entre a sede e o distrito, então vale checar as condições, sobretudo na época de chuva.

Antes de pegar a estrada, alguns cuidados deixam o passeio mais tranquilo:

  • Abastecer o carro ainda em Juiz de Fora;

  • Confirmar com a paróquia os horários de abertura da igreja;

  • Levar um pouco de dinheiro em espécie;

  • Respeitar o silêncio e a rotina dos moradores;

  • Reservar a manhã para o distrito e a tarde para a sede.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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