A 35 km do centro histórico de Ouro Preto, Santo Antônio do Salto nasceu de uma fazenda de mineração do século XVIII

Um vale escondido, cachoeira com mais de 200 metros de queda e cozinha feita com banana num distrito que nasceu do ouro. Veja como chegar e o que fazer

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
14/10/2026

Nada de casarões enfileirados ou igrejas cobertas de ouro. Santo Antônio do Salto cresceu em volta de uma fazenda, no fundo de um vale cercado de montanhas, e guarda até hoje esse jeito de lugar escondido, com mata fechada, rio e cachoeiras enormes.

Como uma fazenda de mineração deu origem ao distrito?

O povoado surgiu no século XVIII em torno da Fazenda do Salto, que combinava mineração e plantações. A exploração do ouro de aluvião começou dentro das terras da propriedade, na margem esquerda do rio, e deu início à ocupação do vale.

O isolamento fez com que a vida local girasse por muito tempo em torno do que a terra oferecia. Hoje o garimpo não existe mais, mas a história da fazenda ainda está no centro do distrito. Da antiga propriedade, ficaram como marcas:

  • A ermida dedicada a Santo Antônio, origem da capela atual;

  • A tradição agrícola, mantida pelas famílias locais;

  • O traçado do povoado em volta da igreja.

De onde vem o nome Santo Antônio do Salto?

Segundo a tradição oral, mantida pelos moradores mais antigos, o nome vem do rio Maynarte, que corta o vale. Era ali que ficava o último ponto em que se podia saltar a correnteza a caminho da Fazenda das Bandeiras.

Outra explicação aponta para a altura da queda d’água principal da região. A capela que dá a primeira parte do nome ganhou a forma atual em 1938, e o distrito é o mais novo de Ouro Preto, criado em 1992.

A Cachoeira do Rapel domina a paisagem do vale

Com mais de 200 metros de queda, a Cachoeira do Rapel é a grande referência natural do distrito. Ela desce do alto da serra, onde fica Lavras Novas, e tem sua melhor vista a partir da parte alta do vale.

A cerca de 800 metros de altitude, o distrito fica num rebaixamento da Serra de Lavras Novas, cercado de mata quase intocada. Ao longo do rio aparecem corredeiras e pequenas quedas, mas duas cachoeiras costumam atrair mais visitantes:

  • Cachoeira do Rapel, a mais alta da região;

  • Cachoeira do Toninho, outra queda de grande altura.

O que mais visitar em Santo Antônio do Salto?

Com cerca de 1.068 moradores, o distrito tem um roteiro curto, mas com boas histórias para quem gosta do interior. A visita costuma combinar as cachoeiras com uma volta pelo centro e pelas localidades vizinhas. Entre os pontos listados pela prefeitura estão:

  • Igreja de Santo Antônio, no centro do distrito;

  • Capela de Nossa Senhora dos Remédios, em Fundão do Cintra, do fim do século XIX;

  • Memorial do Tropeiro Theodoro de Souza;

  • Cânion Passarela do Funil.

Igreja Matriz com torre e cruz de madeira na praça de Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG
Igreja Matriz com torre e cruz de madeira na praça de Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG

Igreja Matriz com torre e cruz de madeira na praça de Santo Antônio do Salto, Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza

Capela de Nossa Senhora dos Remédios, com fachada branca e portas azuis em Santo Antônio do Salto MG
Capela de Nossa Senhora dos Remédios, com fachada branca e portas azuis em Santo Antônio do Salto MG

Capela de Nossa Senhora dos Remédios, com fachada branca e portas azuis em Santo Antônio do Salto, MG - Foto: Igor Souza

Como chegar a Santo Antônio do Salto?

O distrito fica a cerca de 35 km do centro de Ouro Preto. Até o começo do século XX, a entrada era pela Serra de Lavras Novas, por um caminho perigoso. Por volta de 1930, abriu-se uma passagem pela estrada entre Ouro Preto e Santa Rita.

Mesmo assim, o acesso continua exigindo atenção por causa das montanhas e das estradas de terra. O ideal é ir de dia, com tempo seco e o trajeto conferido antes da saída, sem pressa na descida.

Quais são as festas mais tradicionais do distrito?

O calendário local gira em torno da fé e da cozinha. A festa do padroeiro vira uma grande festa junina, que atrai muita gente de fora. Já a festa de Nossa Senhora dos Remédios é patrimônio imaterial de Ouro Preto desde 2009.

Para quem quer conhecer o distrito cheio e animado, vale encaixar a viagem numa das datas que reúnem moradores e visitantes, quando as ruas, a igreja e as barracas de comida ficam movimentadas. As duas mais procuradas são:

  • 13 de junho: festa de Santo Antônio, com clima de festa junina;

  • Agosto: Festival de Cultura e Culinária Típica, com shows e concurso de pratos.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

A banana está no centro da cozinha local

A agricultura sustenta boa parte do distrito, e a banana é o principal produto, vendida inclusive na sede de Ouro Preto. Não por acaso, a fruta aparece em várias receitas que saem das cozinhas locais, tanto nas doces quanto nas salgadas.

O festival de agosto é a melhor vitrine dessa culinária, mas a venda de pratos típicos também faz parte da renda de muitas famílias ao longo do ano. Quem visita o distrito não deve ir embora sem provar:

  • Cuca de banana e bolo de fubá com rapadura;

  • Frango com ora-pro-nóbis;

  • Receitas feitas com umbigo de banana.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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