A 25 km de Belo Horizonte, Sabará guarda um dos centros coloniais mais antigos do Brasil, tombado desde 1938
Pertinho da capital mineira, uma antiga vila do ouro guarda igrejas barrocas, um dos teatros mais antigos do país e um centro colonial protegido há quase um século.
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
08/08/2026
A menos de meia hora de Belo Horizonte existe uma cidade que ajudou a escrever o começo de Minas. Sabará nasceu no auge da corrida pelo ouro e chegou a ser o arraial mais populoso da capitania. Hoje, mesmo cercada pela região metropolitana, mantém um dos centros coloniais mais antigos do Brasil, tombado pelo IPHAN desde 1938. Não é preciso viajar longe para ver Minas antiga.
Por que Sabará tem um dos centros coloniais mais antigos do Brasil?
A ocupação da região começou com as bandeiras que subiram de São Paulo atrás de riqueza. A expedição de Fernão Dias, iniciada em 1674, buscava a lendária Sabarabuçu, e foi o seu genro, Borba Gato, um dos nomes ligados à descoberta do ouro por ali. Foi assim que nasceu Sabará, no vaivém dos bandeirantes.
O arraial cresceu rápido e, em 1711, virou a Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará. Toda essa importância deixou marcas que o tombamento ajudou a preservar. Poucas cidades tão perto de uma capital guardam tanto do período colonial. Alguns momentos explicam esse peso histórico:
A chegada das bandeiras à região no fim do século XVII;
O posto de arraial mais populoso da capitania, em 1702;
O tombamento do centro histórico pelo IPHAN, em 1938.
O que a Capela de Nossa Senhora do Ó tem de especial?
Inaugurada em 1717, a Capela de Nossa Senhora do Ó é a mais conhecida da cidade e um dos grandes exemplos do barroco mineiro. Apesar do tamanho modesto, chama atenção pela quantidade de ouro aplicada na decoração interna. A construção é apontada por historiadores como uma das mais representativas do estilo.
O interior guarda detalhes que fogem do comum nas igrejas do período. Dois pontos costumam surpreender quem visita:
A talha dourada que cobre boa parte do altar;
Os traços de influência oriental na pintura e nos ornamentos.


Fachada da Igreja Matriz de Sabará, MG, com torres, sinos e detalhes coloniais - Foto: Igor Souza
Onde estão as obras de Aleijadinho em Sabará?
Quem procura o trabalho de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, deve ir à Igreja de Nossa Senhora do Carmo. A construção se estendeu de 1763 a 1847, quase um século, e reúne obras do artista e de sua equipe.
O destaque fica na fachada, com esculturas e entalhes atribuídos ao mestre, além de peças no interior. É uma boa chance de ver de perto, e num só lugar, parte da arte que tornou o barroco mineiro conhecido mundo afora. Vale ir com calma para não passar batido pelos detalhes.
O que mais ver no centro histórico de Sabará?
As igrejas são só uma parte do que a cidade guarda. O centro reúne museus, um teatro histórico e construções ligadas à administração do ouro, tudo a uma distância curta e fácil de percorrer a pé. É um centro compacto, mas cheio de história em cada quarteirão.
Para não deixar passar o essencial, vale incluir no roteiro alguns pontos:
O Museu do Ouro, que guarda peças usadas nas casas de fundição;
O Teatro Municipal, antiga Casa da Ópera, um dos mais antigos do país;
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na Cidade Velha;
Os chafarizes e casarões espalhados pelas ruas antigas.


Casario antigo com janelas verdes, telhado colonial e área verde no vilarejo de Chapada, em Ouro Preto - Foto: Igor Souza
A gastronomia é parte do passeio
Visitar Sabará não é só andar por igrejas e museus. A cidade tem fama na cozinha mineira e mantém tradições que atraem gente da capital nos fins de semana, sobretudo em torno de pratos e produtos típicos. É uma parte da experiência que não dá para pular.
Vale chegar com tempo e apetite para conhecer o que a cidade oferece à mesa. Alguns sabores locais merecem atenção:
O ora-pro-nóbis, folha típica que rende uma festa tradicional na cidade;
A jabuticaba, que virou marca da região;
Os pratos da cozinha mineira servidos nos restaurantes do centro.
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Sabará cabe num bate-volta a partir de BH
Pela distância curta, dá para conhecer o centro histórico em um dia, saindo cedo de Belo Horizonte. Ainda assim, quem tem mais tempo consegue aproveitar com calma as igrejas, os museus e a parte gastronômica sem correria. O trajeto curto facilita até para quem vai com crianças.
Como muitos pontos abrem em horários específicos e alguns fecham em determinados dias, vale conferir o funcionamento antes de ir. Assim, a visita rende mais e evita a frustração de chegar e encontrar as portas fechadas. Um pouco de organização faz toda a diferença.


Vista lateral da Igreja Matriz de Sabará, MG, com torres coloniais entre árvores e palmeiras - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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