A 143 km de Belo Horizonte, Lapinha da Serra fica aos pés do Pico da Lapinha, com 1.687 metros de altitude
Uma trilha de mais de 1.600 metros de altitude esconde um cânion, cachoeiras e um céu estrelado raro, numa vila que ainda passa despercebida em Minas Gerais
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
03/08/2026
A 143 quilômetros de Belo Horizonte, uma vila pequena vive encostada em um pico que passa dos 1.600 metros. Lapinha da Serra fica aos pés do Pico da Lapinha, com 1.687 metros de altitude, em um trecho da Serra do Cipó que ainda escapa do roteiro mais óbvio de Minas Gerais. Dali saem trilhas, cânions e uma vista de céu noturno pouco comum a essa distância de uma capital.
Como chegar a Lapinha da Serra a partir de Belo Horizonte?
O caminho mais comum sai de Belo Horizonte pela MG-010, passando por Santana do Riacho, distrito ao qual Lapinha da Serra pertence. O trecho final é de estrada de terra, o que aumenta o tempo de viagem e pede atenção redobrada em dias de chuva. Carros de passeio costumam fazer o percurso sem problema, mas o piso irregular reduz a velocidade média.
Quem depara com a estrada pela primeira vez estranha a mudança brusca de paisagem: o asfalto some, a vegetação de campo rupestre toma conta e a altitude começa a se fazer sentir no ar mais frio. Antes de seguir viagem, vale considerar alguns pontos práticos:
Reabastecer o carro antes de sair de Santana do Riacho, já que não há postos na vila;
Levar dinheiro em espécie, pois o sinal de internet é instável e nem todo estabelecimento aceita cartão;
Programar a chegada com luz do dia, já que a estrada de terra não tem iluminação.
Subir o Pico da Lapinha exige preparo físico?
A trilha até o topo do Pico da Lapinha é o principal atrativo para quem visita a região com foco em caminhada. O acesso começa na própria vila e sobe em meio a afloramentos de rocha e vegetação baixa, típica dos campos de altitude do Espinhaço. O esforço é considerado moderado, mas o piso pedregoso em alguns trechos pede calçado apropriado e atenção redobrada.
Do alto, a vista alcança parte da Serra do Cipó e do relevo recortado que caracteriza essa porção de Minas Gerais. Guias locais costumam recomendar a subida nas primeiras horas da manhã, quando o calor ainda não pesa e a visibilidade tende a ser maior. Não é uma trilha técnica, mas também não é indicada para quem nunca caminhou em terreno irregular.


Lagoa da Lapinha com o Pico da Lapinha ao fundo, em Lapinha da Serra, MG - Foto: Igor Souza


Igreja com o Pico da Lapinha ao fundo, em Lapinha da Serra, MG - Foto: Igor Souza
A vila guarda outras atrações além do pico
Lapinha da Serra não se resume à subida até o mirante mais alto. A região abriga cânions, cachoeiras e formações rochosas que também recebem visitantes ao longo do ano, muitas vezes em passeios guiados por moradores da própria vila. O relevo acidentado favorece ainda atividades como rapel e arvorismo, oferecidas por operadores locais.
Essa combinação de atrativos é um dos motivos que tem atraído mais visitantes para uma vila que, até pouco tempo, era conhecida principalmente por quem já frequentava a Serra do Cipó. Entre as opções mais procuradas na região estão:
Cânions com paredões de rocha e trilhas de dificuldade variada;
Cachoeiras naturais, algumas formando poços para banho;
Passeios de rapel conduzidos por guias credenciados;
Observação da flora nativa dos campos rupestres, incluindo as sempre-vivas.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Por que o céu de Lapinha da Serra vira atração à parte?
A altitude e a distância de grandes centros urbanos reduzem a poluição luminosa na região, o que torna o céu noturno de Lapinha da Serra um atrativo por si só. Em noites sem nuvens, é possível notar uma quantidade de estrelas bem maior do que a vista a partir de qualquer cidade grande, algo que tem chamado a atenção de visitantes interessados em observação astronômica.
Pousadas e pontos de camping da região organizam esse momento como parte da experiência, geralmente reunindo os hóspedes após o jantar. Para aproveitar melhor a observação, alguns cuidados fazem diferença:
Evitar o uso de lanternas fortes, que atrapalham a adaptação da visão à escuridão;
Levar um casaco, já que a temperatura cai bastante durante a noite mesmo no verão.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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