A 120 km de Belo Horizonte, Mariana foi a primeira das 4 capitais que Minas Gerais já teve

Antes de Ouro Preto e Belo Horizonte, uma cidade mineira comandou todo o estado por oito anos — e guarda até hoje as provas desse período no centro histórico

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
14/08/2026

Ouro Preto costuma levar a fama de ter sido a primeira capital de Minas Gerais. Mas o posto pertenceu antes a outra cidade, fundada em 1696 durante a corrida pelo ouro e batizada em homenagem a uma rainha portuguesa. A 120 km de Belo Horizonte, Mariana comandou o território mineiro por oito anos antes de perder o cargo para a vizinha — e guarda até hoje as marcas desse período no centro histórico.

Por que Mariana foi a primeira capital de Minas Gerais?

O arraial nasceu em 16 de julho de 1696, quando bandeirantes paulistas comandados por Salvador Fernandes Furtado acamparam às margens do Ribeirão do Carmo, onde o ouro aflorava na superfície. O povoado recebeu o nome de Nossa Senhora do Carmo e, anos depois, passou a se chamar Mariana, em homenagem a Dona Maria Ana d'Áustria, esposa do rei português Dom João V.

A ascensão da vila aconteceu em ritmo acelerado, puxada pela riqueza mineral da região. Em poucos anos, o povoado reuniu os principais marcos que a tornariam a referência administrativa das Minas:

  • 1711: elevação à condição de vila;

  • 1712: transformação em capital da região das minas;

  • 1745: elevação à categoria de cidade e criação da primeira diocese de Minas Gerais.

Casarão colonial azul e igreja histórica em rua de pedra de Mariana, MG, sob céu azul
Casarão colonial azul e igreja histórica em rua de pedra de Mariana, MG, sob céu azul

Casarão colonial azul e igreja histórica em rua de pedra de Mariana, MG, sob céu azul - Foto: Igor Souza

Quais foram as outras capitais que Minas Gerais já teve?

Mariana comandou a região até 1720, quando perdeu o posto para Vila Rica, atual Ouro Preto, hoje reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. A cidade vizinha concentrava um volume ainda maior de ouro e ganhou a sede do governo da recém-criada Capitania de Minas Gerais, condição que manteve por quase dois séculos.

Essa sucessão de capitais é lembrada até hoje por uma tradição simbólica do governo estadual, que transfere a sede do poder por um dia a cada uma das cidades que já ocuparam o posto:

  • Matias Cardoso, ligada aos primórdios da ocupação portuguesa na região;

  • Mariana, primeira capital oficial, homenageada em 16 de julho;

  • Ouro Preto, capital entre 1720 e 1897, celebrada em 21 de abril;

  • Belo Horizonte, capital administrativa desde 1897.

A escolha de Belo Horizonte dividiu o estado no fim do século 19

Em 1893, já estava decidido que Ouro Preto deixaria de ser capital. O relevo acidentado da cidade histórica dificultava a expansão urbana esperada para uma capital moderna, e a população mineira se dividiu entre os favoráveis à mudança e os que preferiam manter tudo como estava. Os dois lados ficaram conhecidos como mudancistas e não mudancistas.

Uma comissão foi criada para escolher o novo endereço do governo, e outras cidades chegaram a disputar o posto antes de Belo Horizonte vencer a corrida:

  • Juiz de Fora, descartada por ficar longe da região central;

  • Barbacena, excluída pelo relevo pouco favorável à expansão;

  • Várzea do Marçal e Paraúna, ambas afastadas por terrenos considerados inadequados.

Passaporte da Estrada Real com carimbos diante das igrejas da Praça Minas Gerais em Mariana, MG
Passaporte da Estrada Real com carimbos diante das igrejas da Praça Minas Gerais em Mariana, MG

Passaporte da Estrada Real com carimbos diante das igrejas da Praça Minas Gerais em Mariana, MG - Foto: Igor Souza

O que resta desse período na cidade hoje?

O símbolo mais conhecido é a Praça Minas Gerais, onde duas igrejas ficam de frente uma para a outra: a de São Francisco de Assis e a de Nossa Senhora do Carmo. A disposição incomum nasceu de uma disputa entre as irmandades religiosas responsáveis por cada construção, no século 18.

O acervo artístico da cidade reúne nomes centrais do período colonial brasileiro e vai além das duas igrejas da praça:

  • pinturas do Mestre Ataíde, presentes em diversas igrejas da cidade;

  • púlpitos em pedra-sabão atribuídos a Aleijadinho;

  • órgão Arp Schnitger, construído na Alemanha em 1701 e instalado na Catedral da Sé em 1753;

  • Seminário Menor, erguido entre 1750 e 1790 e considerado o primeiro centro educacional de Minas Gerais;

  • Rua Direita, apontada como uma das ruas mais bem preservadas do estado.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Vale a pena conhecer Mariana além da história?

A cidade também oferece programas para quem quer sair do roteiro só de igrejas. O passeio de trem entre Mariana e Ouro Preto atravessa a serra com vista para o vale, e a Mina de Ouro da Passagem permite descer aos túneis explorados durante o ciclo do ouro, a poucos minutos do centro da cidade.

A proximidade com Belo Horizonte facilita a visita em um único dia, sem abrir mão do tempo necessário para conhecer os principais pontos. Entre igrejas, museus e passeios ao ar livre, Mariana segue sendo um destino que une história e experiência de forma direta, sem precisar de grandes desvios de rota.

Igreja colonial e pelourinho histórico na Praça Minas Gerais, em Mariana, MG
Igreja colonial e pelourinho histórico na Praça Minas Gerais, em Mariana, MG

Igreja colonial e pelourinho histórico na Praça Minas Gerais, em Mariana, MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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