A 100 km de Belo Horizonte, o distrito de Itatiaia rende um fim de semana inteiro de trilhas e cachoeiras

Cachoeira de 70 metros, igreja com registros desde 1714 e trilhas com vista para quatro serras: um povoado mineiro que rende dois dias inteiros de passeio

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
18/10/2026

Uma queda d’água de cerca de 70 metros, uma igreja com registros de batismo desde 1714 e trilhas que terminam com vista para quatro serras. Tudo isso cabe no distrito de Itatiaia, em Ouro Branco, povoado às margens da MG-129 que ainda recebe poucos turistas.

Onde fica o distrito de Itatiaia e como chegar?

Itatiaia fica a cerca de 12 km da sede de Ouro Branco, no caminho para Ouro Preto, que está a uns 20 km. Saindo de Belo Horizonte, são cerca de 100 km pela BR-040 até Ouro Branco, em torno de uma hora e meia de carro.

O último trecho é feito pela MG-129, rodovia asfaltada, mas cheia de curvas e sem acostamento, o que pede atenção redobrada ao volante, principalmente à noite. Para quem sai da capital, o caminho tem duas etapas:

  • BR-040 até Ouro Branco;

  • MG-129, sentido Ouro Preto, até o distrito.

Por que o distrito guarda tanta história?

Itatiaia nasceu como um arraial de apoio a viajantes no século XVIII, quando a região era cortada pelo Caminho Novo, uma das rotas da Estrada Real usadas para levar o ouro mineiro até o litoral. O povoado fica no começo da Serra do Espinhaço.

Reportagens registram que trechos da antiga Estrada da Corte e pontes de pedra ainda podem ser vistos pela região. Uma casa de 1773 e um antigo moinho às margens do rio Garcia ajudam a entender como era a vida por ali.

A Igreja de Santo Antônio é parada obrigatória

No centro da comunidade está a Igreja de Santo Antônio, uma das mais antigas de Minas. Dos cinco retábulos, o mais importante é o de estilo joanino, com talha assinada por Lourenço Rodrigues de Souza e pintura de Manoel Ribeiro Rosa.

A igreja também carrega uma história triste: em 1994, 21 peças sacras foram roubadas, e só três voltaram até hoje. Para entender a trajetória do prédio antes de entrar, quatro datas ajudam a montar a linha do tempo:

  • 1714: começam os registros de batismo na capela original;

  • 1742: início da construção da nova matriz;

  • 1980: tombamento pelo Iphan;

  • 1983: restauração do prédio.

Rua de pedras com casarão antigo e igreja histórica em Itatiaia, MG
Rua de pedras com casarão antigo e igreja histórica em Itatiaia, MG

Rua de pedras com casarão antigo e igreja histórica em Itatiaia, MG - Foto: Igor Souza

Vista das montanhas de Itatiaia, MG, através de janelas de madeira abertas em meio à natureza
Vista das montanhas de Itatiaia, MG, através de janelas de madeira abertas em meio à natureza

Vista das montanhas de Itatiaia, MG, através de janelas de madeira abertas em meio à natureza - Foto: Igor Souza

O que esperar da Cachoeira de Itatiaia?

A Cachoeira de Itatiaia é a atração mais conhecida do distrito. A queda tem cerca de 70 metros e forma um poço de 1,5 metro de profundidade média. O acesso, na MG-129, é gratuito, mas não há sinalização, então vale usar o GPS.

A trilha tem só cerca de 250 metros, mas a descida é forte e não é recomendada para crianças pequenas. Como o local não tem estrutura de apoio, alguns cuidados fazem diferença antes de descer até o poço:

  • Atravessar o rio com calma e seguir pela margem esquerda;

  • Levar água e lanche;

  • Evitar a visita após chuvas fortes.

Quais trilhas fazer em Itatiaia?

Quem quer caminhar mais encontra opções para níveis diferentes. A subida da Serra de Itatiaia começa à beira da estrada entre Ouro Branco e Ouro Preto e tem dificuldade baixa a moderada, com trecho final mais íngreme.

No topo, a vista alcança as serras da Moeda, da Piedade, do Itacolomi e de Itabirito. Ela e outros dois percursos aparecem nos relatos de quem conhece a região e podem compor o roteiro de quem tem mais tempo:

  • Serra de Itatiaia, a mais procurada;

  • Canela de Ema, mais fácil, pelo antigo moinho;

  • Bico de Pedra, com pequenos rios e quedas.

Como dividir os dois dias no distrito?

Com tantas opções, o ideal é separar as atividades por esforço. As trilhas mais longas rendem mais no começo da manhã, com temperatura amena, enquanto a cachoeira e a igreja podem ficar para quando o corpo pedir um ritmo mais tranquilo.

A época da viagem também conta. Segundo o Climatempo, de abril a setembro é o período mais indicado para a região de Ouro Branco, com céu limpo e tempo firme. Uma divisão simples para os dois dias pode ser esta:

  • Sábado: cachoeira pela manhã e igreja à tarde;

  • Domingo: Serra de Itatiaia logo cedo.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

A hospedagem pede planejamento

O distrito tem poucas opções para dormir, em geral casas e chalés alugados pelos moradores. Por isso, quem pretende passar a noite em Itatiaia deve reservar com antecedência, principalmente em feriados e nos meses de inverno.

Outra alternativa é ficar em Ouro Branco, que tem mais pousadas e restaurantes de comida caseira, e fazer os 12 km até o distrito pela manhã. Assim, dá para aproveitar trilhas e cachoeiras sem abrir mão de estrutura no fim do dia.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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