5 cidades históricas de Minas a poucas horas de BH que quase ninguém visita
Igrejas, museus, sítios arqueológicos e memória ferroviária formam um roteiro pouco conhecido para sair da capital e conhecer outras histórias mineiras
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
20/07/2026
Quando o assunto é história perto de Belo Horizonte, quase todos os caminhos parecem levar a Ouro Preto, Mariana ou Congonhas. Mas há municípios menores, fora do circuito mais repetido, onde igrejas, museus, praças e estações ajudam a entender outras partes da formação mineira. A seleção exige uma correção importante: quatro destinos ficam a menos de duas horas da capital, enquanto Bom Sucesso pede cerca de 2h40 de estrada.
Essas cidades são históricas no mesmo sentido de Ouro Preto?
Não. Nenhuma das cinco deve ser apresentada como um conjunto colonial comparável às cidades reconhecidas nacionalmente. O interesse está nos patrimônios locais, nas tradições religiosas, nas construções preservadas e nas histórias que continuam presentes na rotina.
É justamente essa diferença que fortalece o roteiro. Em vez de centros preparados para grandes fluxos turísticos, o visitante encontra comércio aberto, praças usadas pelos moradores e atrações que precisam ser observadas com atenção.
Itatiaiuçu mistura igreja, praça e paisagem serrana
A cerca de 76 quilômetros de Belo Horizonte, Itatiaiuçu pode ser alcançada de carro em aproximadamente uma hora, dependendo do trânsito na BR-381. O nome de origem tupi está ligado à ideia de uma grande pedra pontuda, referência que combina com a serra ao redor da cidade.
No centro, a Igreja Matriz de São Sebastião e a Praça Antônio Quirino da Silva formam uma parada direta para conhecer o cotidiano local. Já a Pedra Grande amplia o passeio para o território serrano:
caminhar pelo centro;
observar a Matriz de São Sebastião;
procurar pontos de vista para a serra;
confirmar as condições de acesso antes de seguir para a Pedra Grande.


Praça arborizada de Itatiaiuçu com ipês floridos, postes antigos e amplo espaço de convivência - Foto: Igor Souza
Por que Igarapé merece mais que uma parada na estrada?
Igarapé fica a aproximadamente 47 quilômetros de Belo Horizonte e pode ser alcançada de carro em cerca de 40 minutos, em condições normais. A Igreja de Santo Antônio, a Casa da Cultura e a Escola Magalhães aparecem entre os atrativos cadastrados pelo portal oficial de turismo de Minas Gerais.
A cidade também preserva uma relação forte com a cozinha feita nos quintais, valorizada pelas mestras locais e por eventos gastronômicos. Para uma visita de poucas horas, o roteiro pode unir:
patrimônio religioso;
cultura local;
receitas transmitidas entre gerações.
Itaguara guarda uma ligação inesperada com a literatura
A viagem de Belo Horizonte a Itaguara leva cerca de uma hora e vinte minutos de carro. No centro, o Museu Sagarana preserva documentos, objetos e referências à história municipal, além de materiais relacionados a João Guimarães Rosa.
O escritor viveu em Itaguara entre 1931 e 1932, quando atuava como médico, e acontecimentos da região foram associados à criação de contos de “Sagarana”. A visita pode seguir um caminho simples:
Museu Sagarana;
Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores;
caminhada pelas ruas centrais;
confirmação antecipada dos horários do museu.


Fachada da Igreja Matriz de Igarapé com torre central, cruz e bandeirinhas coloridas sob céu azul - Foto: Igor Souza
O passado de Carmópolis de Minas começou antes das igrejas
Carmópolis de Minas está a aproximadamente 123 quilômetros de Belo Horizonte, com percurso estimado em cerca de uma hora e quarenta minutos. O município possui sítios arqueológicos com inscrições rupestres, registros de uma história muito anterior à formação do núcleo urbano.
No centro, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo representa outra fase desse percurso. A cidade também já foi chamada de Japão de Oliveira, denominação anterior ao nome atual. O roteiro pode incluir:
Matriz de Nossa Senhora do Carmo;
praça e ruas centrais;
referências ao antigo nome;
áreas arqueológicas somente com acesso permitido e orientação;
paradas ligadas à vida rural.
Bom Sucesso preserva a memória religiosa e ferroviária
Bom Sucesso é a exceção na distância: o trajeto desde Belo Horizonte tem cerca de 202 quilômetros e leva aproximadamente duas horas e quarenta minutos de carro. Por isso, funciona melhor como viagem de dia inteiro ou como parte de um percurso maior pelo interior.
Entre os bens ligados à história local está a Estação Ferroviária de Aureliano Mourão, reconhecida pelo município como patrimônio histórico tombado e alvo de ações de preservação. Antes de sair, vale organizar três frentes:
centro e igrejas;
patrimônio ferroviário;
praças de convivência.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
Como transformar as cinco cidades em viagens possíveis?
Tentar visitar todas em um único fim de semana não faz sentido. Itatiaiuçu e Igarapé podem ser combinadas pela proximidade, enquanto Itaguara e Carmópolis de Minas funcionam melhor em dias separados. Bom Sucesso exige planejamento próprio por causa da distância.
Também é necessário confirmar horários de museus, igrejas e espaços culturais, pois muitos não mantêm funcionamento turístico diário. O roteiro não entrega centros monumentais, mas oferece algo valioso: a chance de observar a história misturada à vida comum.


Igreja Matriz de Carmópolis de Minas emoldurada por palmeiras, escadaria e jardim sob céu azul - Foto: Igor Souza
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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